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Jornalista da CNN é demitido após fala homofóbica durante programa

Leandro Narloch usou termos como "opção sexual" ao vivo durante o programa Live CNN


O jornalista Leandro Narloch foi demitido da CNN, na sexta-feira, 10, após fazer comentários homofóbicos ao vivo durante o programa Live CNN. Segundo o colunista Fefito da UOL, ainda não há um nome cotado para substituir Narloch.

Num programa ao vivo, o jornalista usou termos como "opção sexual", e distorceu uma pesquisa sobre gays com HIV no Brasil, afirmando, segundo ele, que 25% dos gays de São Paulo têm HIV.




CUIDADO COM O QUE FALA

O programa em questão falava sobre a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) de revogar a proibição de doação de sangue por homens que transam com outros homens, depois que o STF decidiu que a proibição é discriminatória.

Leandro Narloch começou sua fala usando a expressão "opção sexual", e foi muito criticado nas redes sociais. O termo só alimenta a ideia errada de que podemos "escolher" nossa sexualidade. - Alguém aqui escolheu ser gay? Ou o próprio jornalista escolheu ser hétero? - e por isso caiu em desuso. "A mudança, na verdade, é pequena. Ela vai restringir mais a conduta, e não o tipo de pessoa, a opção sexual [sic] do indivíduo", afirmou Narloch.

Em seguida o jornalista usou uma pesquisa de forma errada para apontar um dado assustador. Segundo ele, 25% dos gays de São Paulo são portadores do HIV. "Toda essa polêmica começou porque, não há dúvida disso, os gays, os homens gays, eles têm uma chance muito maior de ter Aids, né? Em 2018, uma pesquisa mostrou que 25% dos gays de São Paulo eram portadores de HIV".

A pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, ouviu 3.958 homens de 12 capitais, o vírus foi detectado em 18,4% dos exame (em São Paulo a taxa de contaminação foi de 24,8%) e no total, 75% dos entrevistados afirmaram fazer sexo apenas com homens. Uma análise mais detalhada deixa claro que o índice passa longe de afirmar que 25% dos gays paulistanos têm HIV.

"Mesmo que esse número seja exagerado, e de fato ele parece mesmo exagerado, o fato é que é dezenas de vezes maior, maior a chance do que na população geral", afirmou Leandro em seguida, deixando claro que ele sabia que os dados não retratam nem de longe a realidade.

FUI CANCELADO

Após a anúncio da demissão, Narloch comentou sobre o fato em suas redes sociais, mesmo sem pedir desculpas pela fala equivocada, ela argumenta que foi pego pela "cultura do cancelamento". E reforça que não é e nunca foi homofóbico.

“A cultura de cancelamento me pegou. A CNN informou agora que, depois da polêmica desta semana, decidiu rescindir meu contrato. Lamento pelo motivo. Não sou nem fui homofóbico, tenho horror a homofobia e concordei explicitamente com a doação de sangue por homossexuais. Me preocupa o clima da sociedade hoje, em que é impossível discordar até mesmo de termos ou terminologias sem causar histeria, sem que o outro lado seja considerado um monstro que precisa ser banido”, pontua.

“Agradeço a todos os colegas da CNN e amigos que expressaram apoio e tristeza pelo que ocorreu. E já antecipo anúncios dos próximos dias: um curso contra a cultura de cancelamento, sobre ‘temas sensíveis’ e ideias proibidas, e uma frente para preservar a diversidade ideológica e a liberdade do debate. Abraços e bola pra frente!”, finalizou.

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