O fim dos "entendidos" e sua simbologia



Por um acaso, ontem ouvi uma expressão que há tempos não escutava: "entendido". 
Lá pelos anos 90 e começo de 2000 o termo era usado no meio LGBT para classificar de maneira discreta quem era gay. Dizer que alguém era “entendido” nada mais era que afirmar que fulano era gay ou fazia sexo com outros homens. 

Não por um acaso a expressão caiu em desuso e parando para observar, junto com ela um monte coisa se foi junto, principalmente a necessidade ou costume da época de esconder a sexualidade. Basta observar essa nova geração que desconhece o que é ser "entendido" e visivelmente se sente bem mais livre e segura para expressar quem ama e como ama. 

A evolução da terminologia do mundo gay é um retrato não apenas de como falamos, mas como vivemos e nos percebemos socialmente e politicamente. Essa nova geração de gays convictos dispensa expressões como "curtir" ou "entendido", na verdade poder abrir a boca e se declarar gay, hoje é algo mais comum e natural. Para quem não experimentou ainda, olhe no espelho e grite "eu sou gay", o ato é libertador. 

Com o tempo e o fim dos "entendidos" surgiu uma nova classe de gays, aqueles que não escondem isso do mundo ao seu redor. O fim daquela comunidade gay de gueto, que criava termos pra esconder a sexualidade por medo, dá margem para o nascimento de uma nova, que bate no peito e declara sem medo: SOMOS GAYS! Nos resta celebrar e comemorar, não o fim das palavras, mas dos costumes retrógrados que elas carregam.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.