Star Trek Beyond terá o primeiro personagem gay da saga

John Cho interpreta Hikaru Sulu nas novas produções da franquia de Star Trek

Via: Lado Bi

Polêmica nerd! O universo Star Trek terá seu primeiro personagem declaradamente homossexual: Hikaru Sulu, interpretado por John Cho nos novos longas da franquia, mostrará que tem um marido e uma filha em Star Trek Beyond, próximo filme da série. A intenção era homenagear George Takei, ativista LGBT que interpretava o personagem na série original.

O homenageado, no entanto, não gostou da ideia. Em entrevista ao site Hollywood Reporter, Takei declarou que não havia se comovido com a homenagem, muito pelo contrário: havia pedido para o roteirista Simon Pegg e sua equipe reconsiderarem sua decisão. “Fico muito feliz que haja um personagem gay [no filme]”, comemorou, “mas, infelizmente, essa é uma distorção da Star Trek criada por Gene Roddenberry, sobre a qual ele refletiu tanto. Acho que é uma decisão infeliz”.

O ator teria sugerido que os cineastas fosse “mais criativos, e inventassem um personagem com um histórico gay, ao invés de fazer com que Sulu, que é hétero esse tempo todo, de repente revelar que estava no armário.” Takei ainda afirmou que pensou que havia convencido os atuais produtores de Star Trek a desistirem dessa trama.


Simon Pegg, roteirista e ator que interpreta o personagem Scotty, no entanto, veio a público para responder às reclamações de Takei. Em declaração ao jornal The Guardian, ele educadamente afirma que o ativista não entendeu nada. “Eu tenho amor e respeito enormes por George Takei; seu coração, sua coragem e seu humor são uma inspiração. No entanto, quanto a sua opinião sobre Sulu, eu devo discordar respeitosamente.”

Pegg concorda com Takei quanto ao fato de que heróis LGBT demoraram demais para chegar nas telas do cinema, mas não acredita que seria melhor criar um novo personagem. “Ele está certo, é uma infelicidade que a versão para o cinema do universo mais inclusivo e tolerante da ficção científica não tinha um personagem LGBT até agora. Nós poderíamos criar um novo personagem gay, mas ele ou ela seria definide primariamente por sua sexualidade, e seria viste como a ‘personagem homossexual’, ao invés de simplesmente por ser quem é. Isso não seria objetificação?”

“Justin Lin, Doug Jung e eu amamos a ideia de fazer isso com alguém que já conhecemos porque o público já tem uma opinião pré-existente dessa personagem como um ser humano, sem ser afetada por preconceitos. Sua orientação sexual é apenas um de vários aspectos pessoais, não a característica principal”, continua Pegg. “Além disso, o público será capaz de inferir que sempre houve uma presença LGBT no universo Star Trek desde o início (pelo menos nessa nova linha do tempo), e que um herói gay não é nada de novo ou estranho. Também é importante apontar que nunca sugerimos que nosso Sulu jamais esteve no armário – e por que ele precisaria estar? A questão simplesmente não surgiu antes.”

O roteirista também rebateu as acusações de que estaria desrespeitando o legado de Gene Roddenberry. “Não acredito que foi uma decisão artística fazer que a tripulação da primeira Enterprise fosse toda heterossexual, mas sim uma necessidade da época. Star Trek, merecidamente, recebe muitos elogios por ter mostrado o primeiro beijo interracial da TV norte-americana, mas o episódio em que isso aconteceu foi o de pior audiência da história. Os telespectadores simplesmente não estavam tão abertos para isso na época, e isso deve ter forçado Roddenberry a modular suas inovações. Seu mantra sempre foi ‘diversidade infinita em combinações infinitas’. Se ele fosse capaz de explorar a sexualidade de Sulu quando George o interpretava, sem dúvida teria feito. Roddenberry era um visionário e um pioneiro, mas escolhia suas batalhas com cuidado.”


Pegg encerra sua resposta, como todo bom fã de ficção científica, imaginando universos e possibilidades alternativas. “Nossa Star Trek está numa linha do tempo alternativa, com detalhes distintos. Seja qual for o ingrediente mágico que determina nossa sexualidade, ele foi diferente para o Sulu de nossa continuidade. Eu gosto dessa ideia, porque ela sugere que, num multiverso hipotético, ao longo de uma matriz infinita de realidades alternativas, todos nós podemos ser LGBT em algum ponto. Seja qual for a dimensão em que habitamos, todos queremos ser amados por aqueles que amamos (e eu amo George Takei). Não posso falar por todas as realidades, mas sem dúvida isso é verdade nessa aqui. Vida longa e próspera.”
Share on Google Plus

Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.