"Quatro Luas", um filme sobre amor e aceitação em todas as suas fases

O longa mexicano "Quatro Luas" (Cuatro Lunas) contra quatro histórias que tem em comum o amor entre homens


Quatro histórias onde cada uma delas representa uma fase da lua. De forma resumida isso é o que faz o filme mexicano "Quatro Luas" (Cuatro Lunas) dirigido por Sergio Tovar Velarde, abordando temas que até então são clichês no cinema LGBT como aceitação e homofobia.



Para a nossa sorte o longa consegue tratar desse e de outros assuntos de forma fresca, diferente e extremamente emotiva. Começando pela lua nova, nesse caso representada pela história de um garoto de 11 anos (Gabriel Santoyo) que está se descobrindo e acaba se apaixonando pelo primo. Nesse caso não temos um romance teen ou coisa do tipo, pelo contrário, o primo homofóbico e um episódio de bullying deixam a história tensa. Aqui o enredo do amor entra através da mãe, que deixa de lado o segredo do filho para ajuda-lo, já o pai, esse não sabe como reagir a "vergonha" de ter um filho gay.



Chega a lua crescente, dois amigos de infância se reencontram (Gustavo Egelhaaf e Cesar Ramos) e é no peito de um deles onde o outro encontra consolo para a morte do pai. Exatamente aí, surge uma das cenas mais lindas que já ví ~ aliás, o filme tem várias cenas memoráveis. Nesse misto de amizade e carinho os jovens iniciam um relacionamento, até o medo e vergonha de um deles destruir o conto de amor. O orgulho e a coragem de um bate de frente com o medo do outro, mas o amor que ambos sentem é quem pode ditar o rumo desse episódio.



Um casal juntos a mais de dez anos estampa a lua crescente. Um relação que parece sólida mas na verdade vai se arruinando aos poucos, pelo tempo, clichês e outros fatores. O estopim acontece com a descoberta de um terceiro elemento que racha a relação dos dois. Enquanto um lado faz de tudo para tentar ressuscitar o amor, o outro se perde em seus desejos e paixões. A confiança morre, o desejo e uma discussão sobre os relacionamentos atuais desponta, elevando o filme a um drama capaz de arrancar lágrimas.



Por último, a lua cheia fica para um poeta (Alonso Echánove) suas idas à sauna, e sua obsessão por um michê que esbanja sedução e um aparente mal caráter. Nessa fase é interessante como os personagens vão se mostrando mais profundos do que imaginamos. Segredos, projetos, metas e sonhos, é lindo ver como num cenário atípico uma relação surge de uma forma natural. O poeta, casado, pai e avô encontra no michê um pouco de sí e vice-versa. Segredos são revelados e nossa impressão sobre os personagens é jogada ao avesso, levantando uma reflexão sobre como as pessoas podem ser mais do que aparentam.



"Quatro Luas" é bem sucedido em sua narrativa, onde quatro histórias conversam bem entre sí, nos cortes nenhuma delas se perde ou se torna desinteressante. Nesse meio tempo tantas coisas são discutidas, tantas emoções e sentimentos: vida, amor, família, relações, sobrevivência, descoberta, ódio, tudo envolto num pacote onde homens expressam e sentem seus sentimentos por outros homens. Esse sem dúvida merece o título de um dos melhores filmes gays já indicados por aqui.

* O FILME COMPLETO PODE SER ASSISTIDO NO NETFLIX
OU BAIXADO VIA TORRENT AQUILEGENDA





Share on Google Plus

Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.