28 questões sobre HIV que você precisa saber mas tem medo de perguntar



Post publicado originalmente no LADO BI e traduzido do artigo da revista HIV Plus

1. Eu acabei de receber o resultado positivo para HIV. É possível que tenha acontecido algum engano? 

Resultados com falsos positivos não são comuns, mas é bom fazer um exame para confirmar o diagnóstico. A probabilidade de se receber dois resultados com falsos positivos é extremamente baixa. Se você fez um teste rápido, é uma boa ideia pedir um segundo teste mais elaborado para seu médico.

2. Os exames do meu parceiro vieram negativos. Ele pode ficar tranquilo? 
Infelizmente, resultados de falso negativo também podem acontecer, então se você recebeu um exame positivo e o do seu parceiro veio negativo, é sábio não se empolgar e pedir para ele fazer mais um teste. De acordo com o site Aids.gov, a probabilidade de se obter um resultado com falso negativo depende do tempo que passou entre quando você pode ter sido exposto ao HIV e quando você fez o teste: “leva algum tempo até acontecer a soroconversão. Isso acontece quando seu corpo come;a a produzir os anticorpos que são detectados pelos exames de HIV – um período que varia de duas a seis semanas depois da infecção. Portanto, se você obtiver um resultado negativo no teste de HIV em até três meses depois da última possível exposição ao HIV, os profissionais de saúde recomendam que você realize um novo teste três meses depois desse primeiro exame. Um resultado negativo só é preciso se você não teve risco de exposição para o HIV nos últimos seis meses – e um resultado negativo só vale para exposições passadas.”

3. Como eu peguei HIV? 
Essa é uma pergunta que você vai fazer a si mesmo, e que outros vão lhe fazer, até cansar. No fim das contas, você provavelmente adquiriu o vírus HIV  ao entrar em contato com o sangue ou o sêmen de alguém que já é soropositivo. As formas mais comuns de transmissão incluem o sexo anal ou vaginal sem proteção e compartilhar seringas (não importa se foram utilizadas para injetar drogas ou para injetar medicamentos, como hormônios para transição).

4. É culpa minha? 
Não. O HIV não é uma forma de punição cármica. Ele é um vírus que é transmissível, e portanto passa de pessoa para pessoa. Certos tipos de atividades podem aumentar o risco, mas isso ainda não torna você “responsável” por ter contraído o vírus. Ninguém culpa um diabético por sua diabete, apesar da diabete tipo 2 ser previnível.

5. Mas não é verdade que “ativos” não contraem HIV? 
É verdade que o “ativo”, ou parceiro que insere o pênis, tanto no sexo anal como no sexo vaginal, tem menos chance de contrair o HIV. De acordo com um estudo feito em 2012, no caso do sexo anal, os ativos têm o risco de contrair HIV reduzido em 86 por cento. Isso ainda significa, no entanto, que ativos correm o risco de contrair HIV ao fazerem sexo sem proteção – e muitos já contraíram.

6. É verdade que muitas pessoas com HIV também têm hepatite C? 
Sim. Entre 25 e 30% das pessoas com HIV nos EUA também têm hepatite C (ou HCV). Isso é algo preocupante, pois o HIV faz com que o HCV mova-se mais rápido pelo corpo, o que resulta num desenvolvimento mais veloz de cirrose e doenças hepáticas terminais. De acordo com o Departamento de Programas e Medidas contra a Aids de Los Angeles, é possível contrair o HCV ao compartilhar seringas infectadas, compartilhar itens pessoais que podem ter entrado em contato com o sangue (por exemplo, lâminas de barbear, cortadores de unha, escovas de dente, ou monitores de glicose); por meio de equipamentos para fazer tatuagens ou piercings não esterilizados; ou por sexo sem preservativo com alguém que tem HCV. Sexo mais agressivo, sexo com vários parceiros, ou ter outras doenças sexualmente transmissíveis ou HIV parecem aumentar os riscos de alguém de ter hepatite C. A boa notícia: apesar de não haver vacina contra hepatite C, há agora novos tratamentos bem-sucedidos para o HCV, então mesmo que você já tenha feito algum tipo de tratamento que não deu certo, há novas opções que podem funcionar. Converse o quanto antes com seu médico.

7. Ser soropositivo também quer dizer que eu tenho Aids? 
De forma alguma. Confundir HIV com Aids ou usar os termos sem fazer qualquer distinção é um dos erros mais comuns que as pessoas, e até veículos de mídia, fazem. Em países como o Brasil e os Estados Unidos, a maioria das pessoas que vivem com HIV jamais desenvolverão Aids, um dos estágios mais avançados da doença do HIV. HIV é o vírus que causa a Aids, mas, para a maioria das pessoas, o tratamento adequado e cuidados médicos regulares manterão seu sistema imunológico forte o suficiente para impedir que jamais se desenvolva Aids. Um teste positivo para o HIV significa apenas isso: você tem HIV. Aids depende de um diagnóstico separado, e muitos clínicos estão deixando de usar esse termo e adotando o termo “HIV em estágio 3”, mais descritivo.

8. Eu vou morrer? 
Sim, mas provavelmente não tão cedo, e não por causa do HIV. A verdade é que, com tratamento, as pessoas podem viver uma vida tão longa e tão saudável quanto as pessoas sem HIV. É mais fácil morrer num acidente de carro do que de HIV. Sempre é possível que hajam complicações, assim como com qualquer outra doença crônica (como diabetes, por exemplo), e você estará sujeito às mesmas condições médicas que afetam todas as pessoas. Há indícios de que condições associadas ao envelhecimento (como osteoporose) podem se tornar um problema mais cedo para pessoas com HIV, por causa do impacto a longo prazo dos medicamentos antirretrovirais que você precisa tomar. Mas, de novo, desde que você continue a se tratar, você vai continuar a viver uma vida longa e saudável, com HIV.

9. Quando devo começar o tratamento? 
Já. Idealmente você deveria começar o tratamento o quanto antes, de preferência no dia em que você receber o resultado positivo. Já foi demonstrado que o tratamento precoce oferece vantagens a longo prazo. Mesmo se você não apresentar sintomas, se sua infecção não for contida ela pode afetar seu sistema imunológico. Os cientistas consideram que, quanto mais tempo você seguir sem tratamento antirretroviral, maior se torna o reservatório de HIV oculto em seu corpo. Quanto antes você iniciar o tratamento, mais cedo você vai reduzir sua carga viral e vai alcançar uma carga viral indetectável, quando é praticamente impossível se transmitir HIV para um parceiro. Então trate de obter sua receita médica e começar a tomar seus medicamentos o quanto antes.

10. Eu tenho que tomar os remédios antirretrovirais todos os dias? Para sempre? 
Sim, e não. Tomar seus remédios religiosamente é da maior importância, e um estudo de 2015 demonstra que é apenas começando o tratamento o quanto antes e tomando o medicamento continuamente que se tem as melhores esperanças de se alcançar níveis quase normais de células CD4 e CD8. Quanto mais próximo do normal, mais células que combatem o HIV você terá para mantê-lo bem e lhe dar a mesma saúde e longevidade de alguém que não tem HIV. Esses benefícios para a saúde não devem ser ignorados. No entanto, médicos e companhias farmacêuticas estão cientes de que tomar um remédio todos os dias não é fácil, e novas opções estão por vir. No início desse ano, comprovou-se que uma injeção quinzenal de antirretrovirais é tão eficaz quanto um comprimido diário (essa opção ainda deve demorar um ano ou dois para estar disponível para o público em geral). Então, sim, você tem que tomar seus remédios todos os dias (faça de conta que é como ir para a academia ou tomar vitaminas), mas seu tratamento provavelmente não será tomar um comprimido todos os dias o resto da vida.

11. Tornar-me soropositivo quer dizer que eu tenho que parar de fazer sexo? 
De jeito nenhum. Pelo contrário, a maioria dos médicos vão recomendar que você continue mantendo uma vida sexual saudável. Os orgasmos podem ser drogas maravilhosas por si só: eles melhoram o sono, aumentam seus níveis de imunoglobulina (que combate infecções), e reduzem o estresse, a solidão e a depressão. Ser soropositivo, no entanto, quer dizer sim que você tem que proteger a si mesmo e seus parceiros.

12. Como eu protejo meus parceiros sexuais? 
Há várias maneiras de se proteger e proteger seu parceiro, incluindo comunicar honestamente seu status e os riscos, usar preservativos o tempo todo, ter um parceiro que faz PrEP (quando ela estiver disponível no Brasil), manter sua carga viral indetectável, e até escolher o lubrificante correto (evite dois ingredientes: o poliquaternium e poliquaternium-15, polímeros que aumentam o risco de transmissão do HIV).

13. O que é “tratamento como prevenção”? 
Os medicamentos para o HIV reduzem a quantidade de vírus no sangue de uma pessoa soropositiva. O objetivo é reduzir sua carga viral a níveis tão baixos que ela é considerada indetectável. Estudos em grande escala feitos com casais sorodiscordantes homossexuais e heterossexuais já demonstraram repetidas vezes que, quando a carga viral da pessoa soropositiva é indetectável, o risco de transmissão cai para menos de 5% (mesmo sem o uso de preservativos). Quando você se torna mais saudável você reduz a possibilidade de transmitir HIV. Se todos que têm HIV estivessem em tratamento, nós poderíamos evitar uma porcentagem grande dos novos casos.

14. O que é PrEP? 
PrEP é a sigla para profilaxia pré-exposição. Se você já parou para ler a embalagem do preservativo, você provavelmente já está familiarizado com o termo profilaxia, que significa um tipo de ação para evitar uma doença. No momento o Truvada é a única droga que foi aprovada para que se faça PrEP – basicamente, um comprimido diário para evitar o HIV – mas outros remédios estão para serem lançados.

15. Eu vou ter que usar preservativo para o resto da vida? 
Não. Há maneiras de se fazer sexo sem preservativo com baixo risco de infecção, especialmente se a sua carga viral estiver indetectável e se seu parceiro estiver fazendo PrEP. Jeremiah Johnson, coordenador de políticas e pesquisas de prevenção do HIV para o Treatment Action Group, aponta dois estudos, o HPTN 052 e o estudo PARTNER. Nenhum dos dois descobriu quaisquer novas infecções quando a carga viral do parceiro soropositivo estava indetectável. Outro estudo pioneiro, o Kaiser em San Francisco, acompanhou casais sorodiscordantes por vários anos e não encontrou um único caso de transmissão de HIV quando o parceiro soronegativo estava fazendo PrEP.



16. Quer dizer que eu posso me livrar das camisinhas? 
Provavelmente não (a não ser que elas estejam vencidas). Mesmo se você e seus parceiros sexuais estiverem convencidos de que a proteção extra é desnecessária para evitar a transmissão do HIV, há meia dúzia de outras doenças sexualmente transmissíveis que você pode evitar se utilizar preservativo. Lembre-se, o mundo está cheio de gente que tem DSTs e nem sabe. Pegar gonorreia ou sífilis pode causar problemas sérios de saúde. Em 2015 houve um surto de sífilis ocular nos EUA entre homens na maioria soropositivos, deixando vários deles cegos. Ter HIV não impede que você pegue outras doenças (ou mesmo uma outra linhagem de HIV). Pelo contrário, ele pode torná-lo mais suscetível a essas doenças.

17. E o sexo oral? 
Depois que Danny Pintauro, ex-astro de TV, veio a público dizendo que foi infectado com HIV por sexo oral, muitos alarmistas soltaram o verbo sobre os riscos dessa prática. O que a mídia deixou de mencionar é que o corpo de Pintauro já estava destruído pelo uso de drogas, e ele tinha feridas abertas em sua boca na época. Jeremiah Johnson explica, “Em 2014, o Centers for Desease Control and Prevention, o departamento de saúde pública dos EUA, conduziu uma avaliação sistemática da pesquisa existente para estimar o risco de se contrair HIV de cada ato sexual em particular. Eles chegaram à conclusão de que o risco de se contrair HIV ao se fazer sexo oral é baixo, referindo-se a um estudo espanhol realizado com casais heterossexuais sorodiscordantes ao longo de 10 anos, em que nenhuma nova infecção aconteceu depois de 9 mil atos de sexo oral”. (Em comparação, o CDC estimou que ser o passivo no sexo anal sem preservativo apresenta um risco de 138 para cada dez mil exposições). Se o HIV não foi transmitido depois de 9 mil boquetes, considera-se que o ato é muito seguro. Quando a ejaculação acontece durante a felação, o risco de transmitir HIV aumenta; o risco baixa para quase zero se você tirar o pau da boca antes de gozar. Chupar buceta de uma mulher soropositiva apresenta um risco baixíssimo de transmissão, desde que ela não esteja menstruando.

18. Eu ainda posso ter filhos? 
Sim. Há medicações que reduzem o risco de transmissão de mãe para filho durante a gravidez e o parto para menos de 1%. No caso de doação de esperma, o HIV é retirado do material coletado antes da inseminação. A principal diferença para os casais é que será necessário encontrar um especialista que sabe lidar com HIV, fertilidade e inseminação. A PrEP também vem sendo recomendada nos países em que ela está disponível para a população em geral para evitar a contaminação entre casais que estão tentando gerar filhos. Se você deseja adotar crianças, há medidas que garantem que não haverá discriminação contra soropositivos no processo de adoção.

19. O que eu preciso revelar para profissionais de saúde que vão realizar serviços não-cirúrgicos? 
Todos os profissionais de saúde seguem “precauções universais” para evitar a transmissão de doenças pelo sangue, como o HIV e a hepatite C, explica o dr. Robert J. Frascino, fundador da Robert James Frascino AIDS Foundation e consultor do site TheBody.com. Frascino recomenda revelar seu status sorológico para seu dentista, no entanto, para que ele ou ela possa ficar alerta para problemas em sua boca decorrentes do HIV. “Os profissionais de saúde, dentre eles os dentistas, são treinados para prestar mais atenção em certos problemas se eles sabem que você tem certas questões de saúde, sejam elas diabetes, câncer, HIV etc”, afirma. “Por que não contar para seu dentista? Se você acha que seria discriminado por seu dentista porque é soropositivo, você não deveria sequer frequentar esse consultório, certo? Ser soropositivo não é razão para se ter vergonha. É doença como tantas outras, transmitida por vírus.” O mesmo vale para outros profissionais de saúde: você não é obrigado a contar, mas é do seu interesse, e da sua saúde, abrir o jogo.

20. Ser soropositivo pode afetar a possibilidade de eu fazer a cirurgia de adequação de sexo, cirurgias plásticas, ou cirurgia bariátrica? 
Não. Havia temores de que essas cirurgias apresentavam riscos maiores para soropositivos, mas um estudo publicado em 2006 pelo The Journal of the American Medical Association comparou os dados para cirurgias de pacientes soropositivos e pacientes soronegativos, e descobriu que os dois grupos apresentavam os mesmos níveis de complicações decorrentes de cirurgias. Além disso, hoje os profissionais de saúde têm mais conhecimento sobre o HIV que no passado, e o medo dos pacientes soropositivos praticamente desapareceu. Pode dar mais trabalho, no entanto, encontrar um cirurgião que já tenha trabalhado com pacientes soropositivos, ou, se você for transgênero, um médico que possa trabalhar em conjunto com seu especialista para HIV e seu cirurgião para a adequação de sexo.

21. E quanto aos tratamentos hormonais para pessoas transgênero (ou mulheres depois da menopausa)? A medicação para o HIV interfere com os níveis de estrogênio ou testosterona? 
De acordo com o Well Project, alguns estudos demonstraram que tanto o próprio vírus HIV como as medicações para tratá-lo afetam os níveis hormonais. Dito isso, há tratamentos contra o HIV que não vão interferir com seu tratamento hormonal. Busque encontrar juntamente com seu médico o tratamento médico adequado para controlar seu HIV, manter seus hormônios, e permitir que você viva com seu gênero autêntico.

22. Eu preciso encontrar um médico especial para meus problemas relacionados ao HIV? 
Sim. É importante que você encontre um profissional de saúde especializado em atender pacientes com HIV o quanto antes. Muitas vezes o próprio local onde você recebeu seu diagnóstico vai recomendar alguém, ou você pode pedir uma indicação para seu médico de confiança. Encontrar um especialista em HIV que se encaixe as suas necessidades é um passo importantíssimo depois que se recebe o diagnóstico. Essa pessoa, literalmente, pode salvar sua vida.



23. Como posso encontrar os centros de apoio mais próximos? 
O site para o Departamento de DSTs, Aids e Hepatites Virais oferece uma lista com centros de atendimento para todo o Brasil (clique aqui). Há vários grupos de apoio espalhados pelo país, como o grupo Pela Vidda e o grupo VHIVER.

24. Se eu estiver sangrando por alguma razão, eu preciso me preocupar pelas pessoas que vão me ajudar? 
Isso depende muito da situação, mas em geral a resposta é não. É muito raro que o HIV seja transmitido entre os membros de uma família (excluindo-se pelo sexo e pelo compartilhamento de seringas, claro). Se, por exemplo, você se machucar praticando esportes, é “extremamente improvável que aconteça a transmissão de HIV”, de acordo com o Centro Médico da Universidade de Rochester. “O contato externo com o sangue que pode ocorrer por causa de um ferimento durante a prática de esportes é muito diferente da injeção direta de sangue na corrente sanguínea que ocorre quando se compartilha seringas”. O mesmo vale para um band-aid ensanguentado ou um nariz sangrando ou um dedo cortado, afirma Lisa B. Hightow Weidman, médica e professora associada no Departamente de Doenças Infecciosas da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, e consultora para o site TheBody.com. “Não há risco de se contrair HIV por meio de sangue que está fora do corpo humano. Mesmo se [a pessoa que está sangrando] estiver infectada, o vírus começa a morrer assim que ele deixa o corpo, e torna-se incapaz de infeccionar pessoas.” Uma ressalva: se você se envolver num acidente grave, os paramédicos que vão socorrê-lo provavelmente já estarão utilizando precauções, mas é sempre bom avisá-los que você é soropositivo.

25. O que eu respondo quando as pessoas me perguntarem “Fazer tal coisa passa HIV?” 
Comece dizendo como não se transmite HIV, pois há mitos que são difíceis de destruir. Como o vírus não sobrevive fora do corpo, não é possível adquiri-lo pelos assentos das privadas, ou por talheres ou copos compartilhados. Não se pega HIV pelo beijando ou cuspindo, já que ele não está presente na saliva. Ele também não é transmitido pelo suor ou pela urina. Não dá pra pegar HIV na piscina, na jacuzzi, na sauna, nem por mordidas de mosquitos ou outros animais, nem por meio de tatuagens ou piercings. Há apenas quatro secreções que têm o vírus HIV em concentração alta o suficiente  para infectar outra pessoa: o sangue, o sêmen, fluidos vaginais, e leite materno. De acordo com o CDC, a transmissão pelo HIV só acontece se uma mucosa ou um tecido danificado de uma pessoa entrar em contato com um desses fluídos, ou se eles forem injetados diretamente na corrente sanguínea.

26. Há uma cura para o HIV? 
Não. Até hoje houve apenas um paciente “curado” do HIV que continuou a viver sem o vírus por mais de dez anos: Timothy Brown, também conhecido como o “paciente de Berlim”. Ele foi curado graças a um transplante de medula óssea que recebeu como parte de um tratamento contra o câncer. Desde esse caso, várias outras pessoas afirmaram terem-se curado, mas esses casos não sobreviveram a análises mais cuidadosas ou ao passar do tempo, pois o vírus reapareceu em pacientes que consideravam-se curados. Como explica David Margolis, chefe do Colaboratório de Pesquisadores da Aids para a Erradicação, “Timothy Brown provavelmente foi curado, e isso é maravilhoso. Mas há quase 80 milhões de outras pessoas que foram infectadas em todo o mundo no último século. Ou seja, um em 80 milhões é uma probabilidade bem ruim. Esse caso significa que, sim, a cura é possível. Mas eu tenho que gerenciar as expectativas e transmitir a realidade a respeito de toda essa expedição pela cura, que é: ela não vai acontecer logo.”

27. Já faz mais de 30 anos, por que é que não existe cura ainda? 
A dra. Rowena Johnston, vice-presidente e diretora de pesquisa da amfAR, explica que há vários obstáculos no caminho da cura do HIV, e quase todos eles envolvem “reservatórios”, concentrações do vírus que persistem em tecidos e órgãos mesmo depois que a carga viral de uma pessoa soropositiva tornou-se indetectável. A terapia antirretroviral ajuda a conter os novos vírus que essas células infectadas podem vir a produzir, mas as instruções para se produzir cópias do HIV permanecem no DNA da célula infectada. Se o tratamento for interrompido, nada vai impedir que essas novas cópias sejam produzidas, e elas se multiplicarão rapidamente. Portanto, para curar o HIV, devemos primeiro encontrar esses reservatórios. “Encontrar todos os lugares no corpo onde o HIV se esconde é como procurar uma agulha num palheiro. Certas partes do corpo – como o cérebro ou o tronco – podem abrigar reservatórios do HIV. Certos tipos de célular, dentre elas células do sistema imunológico que podem ser encontradas em todo o corpo e não se limitam a uma só parte, também podem ser reservatórios. Nós não vamos conseguir erradicar ou neutralizar esses vírus latentes a não ser que nós consigamos descobrir exatamente onde todas suas cópias estão”.

28. O que falta para se conseguir uma cura? 
Jerry Zach, médico da Escola de Medicina David Geffen da UCLA, explica que o HIV parece ser capaz de “hibernar” nesses reservatórios, e, como ele não está se reproduzindo, os médicos não têm como detectá-lo ou tratá-lo. Para eliminar o vírus, os médicos precisam encontrar maneiras de ativar esses reservatórios e torná-los visíveis para os tratamentos com terapias antirretrovirais. Seja o que for que venha a ser usado para “ativar” esses reservatórios, não pode deixar doentes os pacientes com carga viral indetectável. Quando for possível “enxergar” o vírus, Zach acredita que o próximo passo será desenvolver tratamentos que eliminem essas célular infectadas e remova as fontes de HIV do corpo. Ele acredita que isso levará à “erradicação da infecção”, mas exemplos da vida real, como o bebê de Mississippi, sugerem que mesmo níveis baixos do vírus podem ganhar força posteriormente e recomeçar a infecção. O bebê de Mississippi é uma menina que nasceu soropositiva, mas começou o tratamento com antirretrovirais imediatamente depois do parto. Depois de 18 meses sua mãe deixou de levá-la nas consultas. Quando ela retornou, vários meses depois, a garota continuava com a carga viral indetectável, levando muitos a acreditar que ela estava curada. Quando ela completou quatro anos, no entanto, o vírus voltou a aparecer em seu organismo. Qualquer cura para o HIV, explica Zach, precisa, portanto, oferecer algum tipo de “proteção extra”, algo que permaneça no organismo para eliminar os vírus caso ainda haja algum reservatório escondido no corpo, esperando para atacar. Vários pesquisadores estão trabalhando em diversos aspectos do tratamento, e a cada ano novas descobertas nos aproximam mais um pouco da cura.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.