A sexualidade não é fixa: conheça a escala Kinsey



Via: Hypescience

A maioria das coisas da vida não tem uma definição clara e definitiva. Não seria diferente com a sexualidade. Por mais que tenhamos uma atração clara na nossa cabeça por um ou outro sexo, alguns cientistas têm estudado a questão e apresentado estudos diversos sobre nosso desejo sexual. Um dos mais famosos deles foi do biólogo Alfred Kinsey, conhecido como pai da revolução sexual.

Após a realização de um estudo exaustivo sobre o comportamento sexual humano, Kinsey percebeu que ele não poderia ser perfeitamente descrito pela dicotomia habitual entre heterossexuais e homossexuais. As pessoas praticam uma ampla variedade de comportamentos sexuais, e às vezes se envolvem em comportamentos que se desviam da sua orientação sexual professada. Ele então criou uma escala, na década de 40, que ficou conhecida como a Escala de Kinsey, baseada no desejo das pessoas, que é uma tentativa de representar esse comportamento.

A escala, originalmente, vai de 0 a 6 e funciona assim:
0 – exclusivamente heterossexual
1 – predominantemente heterossexual, apenas ocasionalmente homossexual
2 – predominantemente heterossexual, mas mais do que ocasionalmente homossexual
3 – Igualmente heterossexual e homossexual
4 – Predominantemente homossexual, mas mais do que ocasionalmente heterossexual
5 – Predominantemente homossexual, apenas ocasionalmente heterossexual
6 – Exclusivamente homossexual

Após um tempo, Kinsey incluiu a assexualidade na escala, representada pela letra x. Em sua pesquisa, Kinsey e sua equipe descobriram que a maioria das pessoas fica nas categorias médias, entre 1 e 5, indicando que a bissexualidade (como um “contínuo”, em vez de uma categoria distinta) é mais uma norma do que uma raridade. Para a maioria, o seu comportamento sexual (ou seja, o sexo de seus parceiros sexuais) e a sua excitação sexual e desejo são congruentes; no entanto, um certo número de indivíduos experimentam incongruência entre estas dimensões da sexualidade.

Sem pretensões

Apesar de ter sido mal interpretada muitas vezes, a escala funciona mais como um guia do que uma regra, criada para entender melhor a complexidade da sexualidade e para destacar a continuidade entre o comportamento e desejo sexual entre diferentes sexos (heterossexual) e mesmo sexo (homossexual) durante o período de vida das pessoas.

Kinsey e seus colegas, no entanto, não tinham a intenção de usar a escala para esclarecer a identidade sexual dos indivíduos (lésbica, heterossexual, bissexual). Ela não foi projetada para ser um teste ou questionário para determinar sua “verdadeira” orientação sexual.

A escala é puramente um método de auto-avaliação com base em sua experiência individual, e a classificação que você escolher pode mudar ao longo do tempo. Além disso, a escala é projetada para permitir a mudança e fluidez na sexualidade dos indivíduos. Ou seja, você pode ser completamente heterossexual por um período e heterossexual com alguns comportamentos homossexuais em outro. Seus autores estavam cientes de que a sexualidade não é fixa ou estática, desde o nascimento até a morte.

Extremamente avançada para a época, a escala – assim como outros estudos de Kinsey – tem sofrido até hoje ataques de grupos conservadores e religiosos. Da mesma forma, os resultados dessa definição mais aberta da sexualidade até hoje são usados e aprofundados por outros pesquisadores. [Good Therapy, Kinsey Confidential]
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.