Ricos e poderosos: Conheça o "Inner Circle", um grupo fechado de gays do mercado financeiro

Sérgio Giacomo e Anselmo Tataki, membros do Inner Circle               Créditos: André Giorgi

Intitulado "Inner Circle", o grupo fechado com quase 400 integrantes reúne executivos gays do mercado financeiro. As reuniões agora realizadas no Chez Oscar, bar no coração dos Jardins, bairro nobre da zona oeste, chamam a atenção pelo fato de não haver beijos entre os rapazes ou qualquer demonstração de afeto, o foco dos encontros é tomar drinques, incrementar o networking e trocar ideias sobre ações, taxa de juros, aplicações, rendimentos, fusões e aquisições. “Dificilmente você vai ver dois caras se beijando aqui. Não é esse o foco da festa”, afirma Henrique Castro, 27, que trabalha na área de investimento do banco espanhol Santander.

Mais do que seleto, para fazer parte do grupo o novo integrante precisa atender alguns critérios, além de ser indicado por alguém já participante do "Inner Circle", o candidato deve ser aprovado pelos demais, além de “ser uma pessoa normal, que por acaso gosta de homem”, como afirma Castro.

Não vamos adentrar na discussão do que seria "uma pessoa normal", mas durante a materia feita por Paulo Sampaio para a revista "PODER" outras pérolas rolaram. “A gente sempre soube que havia demanda por um grupo que não se identificava com o estereótipo do homossexual. No Inner, ninguém precisa adotar a postura do gay que vai à balada. Aqui, não existe padrão de atitude”, segundo Castro.

O discurso do "não existe padrão de atitude" logo vai abaixo quando ele afirma que no grupo “somos todos bem remunerados”; “ninguém aqui fala menos de três línguas”; “a maioria tem pós-graduação e formação no exterior”, ressalta Castro, que usa um terno Hugo Boss e um óculo Armani. 

As reuniões rolam no happy hour           Créditos: André Giorgi

O grupo de gays bem sucedidos e de alto padrão não tem a menor intenção em lutar ou levantar bandeira de militância, é o que afirma o especialista em relações governamentais Anselmo Takaki, 33: "não se trata de um encontro de militância, mas de conectividade". "A gente não vai criar um CNPJ para brigar pela causa gay no Congresso". Mas ao mesmo tempo o assunto da inclusão nas empresas e a garantia de benefícios para casais homossexuais é tema recorrente entre as conversas. 

“Quando recebi o convite para ir para a GE, quis saber se a empresa tinha política de benefícios para cônjuges do mesmo sexo”, conta Sérgio Giacomo, 52, casado há 15 anos e diretor de comunicação e relações institucionais da General Electric para a América Latina.

Apesar de toda a incoerência do grupo, outra faceta do "Inner Circle" é a presença de gays que ainda vivem no armário, o que impede a participação de heterossexuais no grupo. Teoricamente o grupo é aberto a lésbicas e trans, algumas poucas foram vistas no dia da realização da matéria, sendo que nenhuma delas era transexual. 

"Ainda assim, fica difícil entender o motivo da existência de um grupo de homossexuais que defende a política de diversidade nas corporações e, ao mesmo tempo, se segrega em uma comunidade fechada." afirma Paulo Sampaio, responsável pela matéria que você pode conferir na íntegra clicando aqui.


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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.