Parada pela Diversidade de Fortaleza termina em discussão nas redes sociais entre militante e organizadores do evento

Foto: Divulgação: GRAB


Um episódio no mínimo lamentável tomou conta das redes sociais na capital cearense nessa terça-feira. Envolvendo o Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB), organizador da Parada pela Diversidade Sexual de Fortaleza e o militante e ativista Thiago Costa, o fato gerou repercussão entre a cena queer da cidade. Thiago acusa o GRAB de ter negado o direito de fala a ele, durante a XVI Parada realizada no domingo, 01.

Thiago Costa publicou em seu perfil no Facebook, um texto sobre o acontecido, onde ironicamente ele agradece pelo "FATO DE TER SIDO IMPEDIDO" e ter tido seus "direitos negados e cessados", na hora de falar a manifestar seus pensamentos como militante. Personagem conhecido entre o ativismo da capital, ele questionou que militância seria essa em que "os ativistas e militantes LGBT e dos Direitos Humanos não tem oportunidade de falar?". "Que critérios são utilizados nessa escolha, de quem pode ou não pode se manifestar?" completou ele em sua publicação. O assunto logo chamou a atenção e na noite desta terça-feira, 03,  já era comentado entre as esferas de lutas pelas minorias da cidade.

Confira na íntegra a publicação feita por Thiago intitulada "Nota de Agradecimento":

Nota de Agradecimento

Gostaria aqui de modo público fazer um AGRADECIMENTO ESPECIAL ao Grab Asa Branca CE - Grupo de Resistência Asa Branca, ao senhor Francisco Pedrosa e a Senhora Dediane Souza no qual os respectivos também são representantes dessa instituição, AGRADEÇO PELO FATO DE TER SIDO IMPEDIDO, TER TIDO OS MEUS DIREITOS NEGADOS E CESSADOS, NA HORA DE FALAR E MANISFESTAR MEUS PENSAMENTOS NA HORA DA MILITÂNCIA, ontem no evento da XVI Parada pela Diversidade Sexual do Ceará.

Deixo aqui alguns questionamentos:

Como é que querem exigir respeito dos outros movimentos e da sociedade em geral, se nem respeitamos quem está tentado CONSTRUIR E FORTALECER O MOVIMENTO LGBT, MOVIMENTO ESSE QUE É DE CONTINUIDADE, E SE A GENTE NÃO ABRIR ESPAÇO, ACOLHER E AJUDAR NA FORMAÇÃO DESSES NOVOS COMPANHEIROS DE LUTAS, QUAL SERÁ NOSSO FIM?

Que hora da militância é essa que os ativistas e militantes LGBT e dos Direitos Humanos não tem oportunidade de falar?

Que critérios são utilizados nessa escolha, de quem pode ou não pode se manifestar?

A minha vida política não começou de agora, já venho nessa caminhada acerca de mais de 12 anos atrás, anteriormente só a nível escolar, comunitário, associação de bairro, trabalho com crianças, jovens e idosos, e acerca de 6 anos a frente dos Direitos Humanos e da População LGBT, já venho de 2 processos eleitorais, na atualidade sou suplente de vereador de Fortaleza e suplente de deputado estadual no Ceará, sempre pautando e levando a bandeira colorida e as demandas LGBT à frente do meu caminhar, sem medo e sem vergonha de dizer o que eu sou, e ou quem eu represento, hoje em dia já sou conhecido NACIONALMENTE por representar o meu segmento, sendo convidado e participando por diversas vezes de eventos, encontros, palestras, seminários, viagens por todo o Brasil, lamento que as raposas velhas, os ditadores do movimento LGBT do Ceará não reconheçam isso e não me levem a sério ou façam de conta que eu não existo. Só quero deixar claro que EU NÃO VOU DESISTIR, VOU CONTINUAR SEMPRE LUTANDO PELOS MEUS IRMÃOS LGBT, CONTINUAREI A MINHA JORNADA COMO MILITANTE E ATIVISTA LGBT INDEPENDENTE E ESTAREI PRESENTE EM TODOS OS LOCAIS, ATOS E MANIFESTAÇÕES QUE TENHAM O CUNHO POLÍTICO PELOS DIREITOS HUMANOS E LGBT.

Posso até ser PEQUENO hoje na atualidade como muitos podem pensar, mas em um futuro breve posso me tornar um GRANDE, E ESSA SERÁ A HORA DE RETRIBUIR COM MUITO AMOR E CARINHO AS OFENSAS QUE EU SOFRO HOJE EM DIA.

Thiago Costa – Eu sou a DIVERSIDADE!

O Grupo de Resistência Asa Branca usou seu perfil no Facebook para comentar o fato, alegando que o militante iria falar durante um segundo bloco de intervenções. Apesar da explicação do GRAB, infelizmente Thiago não falou em momento algum.

Os comentários tanto na publicação do militante, quanto na resposta do grupo, variam entre elogios e sérias acusações. Em um deles o usuário Levi Angelo diz o seguinte sobre o GRAB: "grupo fechado...políticas feitas para os próprio", afirma ele, em outros há quem elogie a atitude do grupo.

Abaixo você confere a resposta publicada pela GRAB:




UMA TRISTE REALIDADE

Em sua mais recente edição, a Parada de Fortaleza reuniu cerca de 600 mil pessoas, segundo dados da Polícia Militar, já em 2013 foram 500 mil, mas para quem participou do evento nos últimos anos o que se vê é um esvaziamento de público, além da insegurança e inúmeros casos de assalto, roubos e arrastões.

Não bastasse o êxodo do público e a violência, outro fator chama a atenção: a cena gay de Fortaleza parece não andar de mãos dadas com a militância. Ao contrário de outras grandes capitais, onde eventos como a Parada Gay reúnem altos investimentos públicos e privados, patrocínios e trios de ONG's e boates, na capital cearense apenas uma casa noturna abriu as portas e levou um trio para o festa da diversidade e não há investimentos significativos na grande festa da diversidade.

Se por um lado Fortaleza chama a atenção pela realização de shows e off parties com nomes nacionais e internacionais em suas boates e casas dedicadas ao público LGBT e simpatizantes, o mesmo não acontece no evento de maior importância política para a causa, além do grande potencial econômico que pode ser gerado através da Parada pela Diversidade. Mais do que um simples episódio de desentendimento entre organização e militância, o fato chama a atenção para os rumos que a Parada da Diversidade de Fortaleza tem tomado nos últimos anos.

Militantes, empresários e organizadores, já está mais do que na hora de andar de mãos dadas e fazer da Parada pela Diversidade Sexual de Fortaleza um evento de orgulho, inclusivo e verdadeiramente colorido.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.