Pai defende filho que se fantasiou de Cruela Cruel no Halloween




Apesar do Brasil estar aos poucos aculturando o Halloween dos gringos, a farra por aqui ainda não chega nem aos pés do que acontece nos EUA, quando as crianças se vestem com as fantasias mais bacanas e saem pelas ruas acumulando quilos de doces. Numa cultura que não tem Carnaval, essa é a ocasião de abrir as asas da imaginação por uma noite. O garoto Liam, de 9 anos, por exemplo, aproveitou esse 31 de outubro para lacrar com uma fantasia de Cruela Cruel. E quando a patrulha do “normal” criticou o garoto, seu pai defendeu-o de uma maneira que pode servir de modelo para todos os outros.

A história foi relatada pelo site The Gaily Grind. A família de Liam é composta por dois pais, uma irmã gêmea e uma irmã mais velha. O garoto explora sua paixão pelo teatro com o apoio de todos a sua volta. Todo ano, no Halloween, ele se dedica a criar as próprias fantasias. “Ele se envolve na criação e no desenho das roupas”, conta Will Hutt, um de seus pais. “Nós o incentivamos a fazer o que quer. Ele é uma criança, e o Halloween é uma forma excelente de expressar a criatividade.”

Já faz alguns anos que Liam opta por fantasias não-tradicionais. Ele já se vestiu de Cisne Negro, Cleópatra e Medusa. “Parece que ele está mais interessado no processo criativo e na excentricidade do traje que em se vestir ou se fazer passar por mulher, apesar de que, se fosse isso que ele desejasse, eu ainda o apoiaria”, explicou Will.



O pai compartilhou fotos do filho fantasiado no Facebook, e, entre vários comentários elogiosos, recebeu alguns que destilavam preconceito, como esse: “Tenho que dizer que isso é completamente inapropriado, e não acredito que um pai possa fazer isso com seu filho! Desculpa se eu estou ofendendo você ou seus amigos, mas acho que isso é errado!”. A resposta foi certeira: “Nós lidamos com esse tipo de pessoa de mente pequena diariamente. Todos têm direito a uma opinião. Eu sempre apoiarei e incentivarei a criatividade dos meus filhos com alegria e sem pedir desculpas.”

Mais um exemplo de como pais homossexuais podem ser excelentes exemplos para a criação de seus filhos. “É típico que as pessoas suponham que, porque ele tem dois pais, nós o levamos para esse caminho de alguma forma”, Will relatou ao site. “Não é verdade. Nós discutimos com ele a possibilidade de que ele poderia encontrar reações negativas ao vestir esse tipo de fantasia na escola ou quando saísse para pedir doces. Felizmente, ele está numa escola excelente e tem amigos muito legais, que não lhe causaram problemas. Eu não peço o aplauso ou aceitação de outros pais. Eu compreendo totalmente que muitos enxergam algo errado nisso, mas fico perplexo com as críticas.”


“Muitas das fantasias que são consideradas aceitáveis para garotos têm algo a ver com sangue, carnificina e assassinos”, finaliza. “Isso é melhor [que se fantasiar de Cruela Cruel]? Deixe cada um na sua. Ele tem 9 anos. Mais crianças deveriam ter permissão para explorar seus interesses sem represálias.” Fica a reflexão: que tipo de mensagem se transmite para as crianças quando se diz que não há problema quando se fantasiam de Freddy Krueger ou jason do Sexta-Feira 13, mas que não podem se fantasiar de Cinderela porque os outros vão achar ruim?



No one could tell who this was .....
Posted by Will Hutt on Sábado, 31 de outubro de 2015


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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.