A homofobia e violência que brotam de dentro de casa




Por uma acaso zapeando na web acabei encontrando um vídeo do vloguer Gabriel Romão publicado em setembro desse ano. No vídeo ele fez sua versão da trollagem clássica de dizer aos pais que é gay, grava a reação deles e publica o vídeo na web. Até então nenhuma novidade, não fosse a atitude do pai.

Entre discursos de ódio, do tipo "eu não criei filho para ser gay", ou "o que é que eu vou contar para os outros", e ainda a reverberação da ideia cristã fundamentalista de que "a bíblia diz que homem foi feito pra mulher", esse vídeo em especial consegue ir além.

Depois da reação negativa e da repetição das frases clichê citadas acima o pai do vloguer expulsa o filho de casa, agride o rapaz com um tapa no rosto e pasmem, puxa uma faca e ameaça matar o próprio filho, tudo isso devidamente registrado. O que até então era apenas uma brincadeira se torna uma vitrine para mostrar como a homofobia ainda é latente em algumas casas, e mais do que isso o ódio e a violência extrapolam os limites a ponto de levar um pai a ter tal atitude.

Nada aconteceu com o jovem,  e não houve um final trágico, aliás, houve sim. Apesar e toda a reação é engraçado ver que tudo para ele não passou de uma brincadeira, e mais do que uma trollagem a "brincadeira" expôs a desumanidade daquele que ele chama de pai. Analisar esse vídeo é perceber como o machismo e dezenas de ideias fundamentalistas disseminadas por alguns ajudam a criar monstros como esse "pai".

Pessoalmente, esse estivesse no lugar do tal vloguer jamais viria meu pai da mesma forma depois de passar por situação parecida, assusta imaginar que alguém que me "criou" seria capaz de tanta homofobia e preconceito. O vídeo segue abaixo, mas cuidado, as cenas são fortes.



Nos comentários do vídeo a reação das pessoas é em maioria negativa ao fato: "É notório o comportamento homofóbico desse pai, se é que se pode chamar de pai, visto que apontar a faca, e fazer tantas agressões verbais ao filho, pra mim, não é ser pai. É deprimente conviver em uma sociedade com pessoas assim. O filho deveria ter dado exemplos ao pai, ter conversado mais sobre o assunto, mas pra ele tudo não passou de uma mera brincadeira, onde ele demonstra que jamais seria gay, apenas zombou pra ganhar visualizações, visto que deve ter virado moda fazer esse tipo de vídeo." comentou o usuário Stanley Allams.

"Não achei graça nenhuma, um pai que aponta a faca pra um filho, eu não considero pai. Fora as agressões verbais, e físicas que o rapaz recebeu. Fora, que se "assumir", não deveria ser de maneira alguma um passatempo de teste, ou algo do tipo. E ainda tem pessoas que levam isso na "brincadeira?" Aff, faça-me o favor"postou Adeana dos Santos.

"EU TERIA VERGONHA DE TER UM PAI ASSIM... PRECONCEITUOSO E NOJENTO!" afirmou o usuário Thiago Reimer.

AINDA HÁ ESPERANÇA



Depois de tanto ódio em um vídeo só chegou a hora de desintoxicar e mostrar que ainda há esperança para o mundo e que nem todos os pais são como o do caso acima. O também vloguer Leo Sujeito do canal "Argumentos do Sujeito" fez a mesma "brincadeira" com a mãe, mas dessa vez o amor e a verdadeira maternidade falaram mais alto.

A senhora Arlete, mãe do Leo, deu um show de amor com frases do tipo "a mãe quer ver a felicidade dos filhos", "filho é tudo de bom na vida da gente" e "independente da sua opção [...] eu acho que você tem que que procurar uma pessoa que te faça feliz". Compreensiva ele disse aceitar a condição do filho, e deixou claro qe jamais expulsaria o filho e que torce para que ele seja feliz.

Depois de revelado que tudo não passava de uma "brincadeira", mãe e filho se emocionaram,  aliás, não se emocionar com o vídeo e impossível, tanto que esse post aqui está acabando em lágrimas, de felicidade é claro.

 
Share on Google Plus

Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.