Jovem gay é espancado por irmã religiosa após discussão sobre transexual crucificada



Via: Pheeno

O jovem Thiago Azambuja, de 23 anos, morador da cidade de Toledo, no Paraná, usou o Facebook para desabafar sobre a agressão homofóbica que sofreu da própria irmã, Vanessa Nunes, que segundo ele é cristã fervorosa e influente na comunidade católica. O motivo do ataque?! Um conflito de opiniões sobre a transexual crucifixada na edição 2015 da Parada Gay de São Paulo!

De acordo com Thiago, ele foi chamado de “lixo” e espancado pela irmã enquanto a mãe dos irmãos assistia a cena aos prantos. O cunhado teria ainda segurado Thiago para que ele não se defendesse das agressões da irmã Vanessa. Em texto publicado em seu Facebook pessoal, ele ressalta que “também foi crucificado”. Leia o desabafo na íntegra.

“Após a parada lgbt, que aconteceu domingo passado, eu vi o protesto que gerou tanta polêmica e até não entendi direito logo de cara, achei que não precisavam ser tão “agressivos” em passar a mensagem de trasfobia. Logo que eu li e debati sobre o assunto, eu entendi o que queriam eles com o ato, e passei a concordar com o protesto.
Assim como muita gente minha irmã Vanessa Nunes, também postou sua opinião no facebook, ela se posicionou contra o ato, alegando “Cristofobia” e dizendo que era o “apocalipse” compartilhando postagem do Malafaia, eu me senti ofendido por ser gay e abismado vendo ela se sentir oprimida pela tal “cristofobia” (?) então eu fui e comentei sua postagem discordando da opinião dela e iniciando um debate racional.
Até aqui parece apenas um conflito de opiniões dentro da família, mas o resultado disso foi além do que eu esperava de uma mulher Cristã.
Eu fui agredido, na minha própria casa, pela minha própria irmã, na frente do meu sobrinho de nove anos e na frente da minha mãe que me protegeu/defendeu o tempo inteiro, POR SER GAY e por não concordar/aceitar a opinião/religião dela.
Ontem por volta das 23 horas, Vanessa e seu marido Alex Nunes, chegaram na minha casa, pra me ofender e agredir. Primeiro foram as palavras, eu ouvi da boca da minha irmã que eu sou uma vergonha, um lixo, que os gays deviam se isolar da sociedade, que eles devem ficar quietos no canto deles, que eu sou um mal exemplo pros meus sobrinhos. Eu ouvi isso e muitas outras ofensas que não me faz bem nem lembrar. A minha reação foi gritar pra ela sair da minha casa, foi dizer pra ela que o amor que tanto se prega na igreja ela não prática, foi aí que eu apanhei, ouvindo os gritos de choro da minha mãe enquanto o meu cunhado Alex me segurava pra eu não me defender das agressões, enquanto eu ouvia que era um lixo… Além de tudo isso, eu também tive que ouvir ameaças contra mim e meu namorado que frequenta minha casa com o consentimento da minha mãe (dona da casa). Eu tive medo e não quis me pronunciar publicamente, pois não sei do que ela pode ser capaz, mas é se calando que pessoas assim ganham mais força, e eu não posso permitir que ela não seja reconhecida pelo que fez.
Quem é Vanessa? Vanessa é uma mulher cristã, mãe de 2 filhos, casada, pregadora e serva dos grupos de oração, influente na comunidade católica do bairro jd. Panorama, respeitada por ser gentil, amorosa, por fazer doações, por amar os oprimidos, por ajudar os pobres e doentes. Essa Vanessa é a mesma que me bateu por ser feliz, por AMAR outro homem, essa Vanessa me disse que é uma pouca vergonha eu namorar em casa, que é uma ofensa eu demonstrar carinho, que é PECADO SER EU MESMO!
Eu não sei se todos que lerem isso vão compreender a minha dor, eu só quero com esse post, mostrar que quem prega amor nos dias de missa, são os mesmos que ofendem, espancam, matam…. Eu quero com este post, mostrar que a gente (lgbt) temos voz também e que eu não vou me calar mais do que ja me calei a vida toda.
Pra vocês que tinham dúvida se o protesto é realmente necessário, pensem de novo, vejam o que aconteceu comigo por discordar da opinião de um cristão, vejam que não são os gays que machucam os cristãos, nenhum gay vai entrar na casa de um religioso e bater nele por ter suas convicções, e pensem que poderia ser um filho de vocês no meu lugar, apanhando por amar assim como jesus!”
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.