Dica de filme: Clapham Junction



Sinopse:

O director Adrian Shergold utiliza várias histórias interligadas para examinar a ligação entre a homofobia e o desejo gay neste hipersexual drama filmado no sul de Londres ao longo de dois dias de Verão sufocantes.

É mais um dia típico de Londres: grupos de jovens homens estão no engate em bares Gay, um devotado casal homossexual prepara-se para unir-se civilmente numa cerimónia pública, encontros casuais ocorrem em casas de banho públicas, trocam-se histórias politicamente arrogantes em jantares sofisticados e um curioso jovem homossexual apaixona-se por um bonito homem do outro lado do pátio. 





O argumento do filme, escrito por Kevin Elyot, baseou-se no assassinato de Jody Dobrowski, aqui representado pela personagem Alfie Cartwright, que ocorreu a 14 de Outubro de 2005 próximo a Clapham Junction. O filme foi apresentado no Channel 4, quase dois anos após o assassinato, a 22 de Julho de 2007 em celebração do 40º aniversário da luta contra a descriminação homossexual na Inglaterra e no País de Gales.

A trama na minha opinião está muito bem conseguida, com muita dinâmica, saltando entre a história de Alfie Cartwright [David Leon] e a história da união civil de Will [Richar Lintern] e Gavin’s [Stuart Bunce], a história de um jantar sofisticado onde as perspetivas politicas sobre a homossexualidade são discutidas, numa abordagem cínica onde todos os intervenientes estão muito mais envolvidos do que na realidade assumem, o trama aborda ainda a historia de Terry [Paul Nicholls] um rapaz trabalhador, que vive nos subúrbios, gentil com as crianças, cuidadoso e protetor da sua avó mas que nos tempos livres maltratando homossexuais que engata em bares e parques. Por fim o filme aborda a historia de mais dois jovens, Theo [Luke Treadaway] de 14 anos que apaixonado por Tim [Joseph Mawle], um pedófilo que tenta viver discretamente num bairro dos subúrbios, vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para consumar o seu amor, e Danny [Jared Thomas] que por motivos que apenas podemos presumir ligados à descriminação racial também vai sofrer com a violência deste bando anónimo que espalha o terror, junto a esta estação de metro.

O filme está repleto de momentos brilhantes e controversos que conduzem os espetadores a explorar uma perspetiva diferente daquela confortavelmente cada espetador defende. Algumas cenas são chocantes e algumas das histórias podem parecer que pecam pela simplicidade, no entanto no conjunto percebe-se que o objetivo do argumentista não é explorar a história, mas sim as tendências da sexualidade homossexual urbana nos dias de hoje, tentando que as personagens abordem um espectro máximo em termos de idades e estrados sociais.

O realizador conseguiu bons resultados na qualidade da imagem, do som, na forma como as cenas transitam entre as várias histórias. E mais do que pelas cenas chocantes, a abordagem fria que marca o filme, não o torna apropriado para menores de 16 anos, mas o torna, na minha opinião, ainda mais recomendável para o resto dos espetadores, tal como anunciado pelo filme, ninguém será o mesmo depois de ver este filme. 


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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.