Sol, praia, mar e transfobia

Foto: Facebook

É de se imaginar que uma cidade como Fortaleza, voltada para o turismo, tenha no mínimo profissionais da área capacitados o suficiente para tratar, abordar e atender clientes, turistas e pessoas de todas as raças, credos e gêneros, ops, nesse caso é no gênero que a coisa tem derrapado.

Já noticiamos aqui no blog alguns não muito raros casos de homofobia, lesbofobia e transfobia acontecidos dentro de estabelecimentos comerciais do estado como bares, restaurantes e por último na "Sunrise" uma das maiores e mais conhecidas barracas de praia da capital, onde no dia 25, a jovem Bruna Salles foi impedida de usar o banheiro feminino.

O caso veio a tona após a publicação de uma nota do perfil do DJ Diego Baez, amigo de Bruna e que publicizou o acontecido. Segundo informado ao site Revista Fórum, ao tentar entrar no banheiro a jovem foi barrada pois dois seguranças (um homem e uma mulher) que informaram que ela não poderia usar o banheiro feminino e que teria que se dirigir ao banheiro masculino. Dado todo o constrangimento ela se retirou do local e deve acionar a justiça para que medidas sejam tomadas.

Não devemos discutir qual banheiro Bruna ou outras dezenas, centenas ou milhares de transexuais ou transgêneros devem usar, partimos do ponto de vista de que gênero não se restringe ao que temos entre as pernas, mas como nos vemos, nos sentimos e nos identificamos. Fortaleza possui inclusive a lei municipal 8.211 que "prevê punição para estabelecimentos comerciais que discriminem o cliente por conta de sua orientação sexual ou identidade de gênero." e isso é o suficiente para entender que além de ignorante a postura do estabelecimento foi contrária ao que diz a lei. 



Vivemos numa sociedade machista, patriarcal e falocêntrica, onde o homem exerce o poder, e a mulher por sua vez assume um papel de antagonista e quase sempre vitimizado, o mesmo se aplica as transexuais, onde não são raros os casos em que proibidas de usar o banheiro correspondente ao gênero que se identificam são hostilizadas por sua aparência dentro de um banheiro masculino, ou até mesmo estupradas. 

Mais do que discutir as questões de gênero e identidade é preciso mostrar, explicar e fazer a sociedade entender as diferenças e aceitar isso. Sendo gay confesso que é petulante da minha parte tentar mensurar, escrever ou exteriorizar o que uma transexual sente ao ser hostilizada na rua, mas se há uma certeza nisso tudo é que Bruna teve a postura mais correta em procurar a justiça e mostrar que trans existem e possuem voz e direitos. 

Torcemos para que a barraca aprenda com o acontecido e que outros estabelecimentos sejam treinados e instruídos a agir da forma correta e mais humana possível, que a vida seja mais trans, mais gay, mais lésbica, mais hetero, enfim, mais humana e que um banheiro não seja motivo para segregação.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.