5 motivos que demonstram que o status HIV não importa mais



Que o HIV é um demônio dentro da comunidade gay isso a gente já sabe e vamos continuar com esse fantasma durante um bom tempo. Se para alguns heterossexuais AIDS ainda é um câncer gay, dentro da própria comunidade LGBT.XYZ o preconceito é forte, assim como o medo e claro, a segregação.

Já cansei de sair com amigos e ouvir os comentários desse tipo quando alguém passa: "bescha, não fique com aquele boy porque ele tem o pacote", ou algo do tipo "tá loka? ele tem a tia gatinho, todo mundo sabe disso" [tia e pacote são gírias usadas aqui no Ceará para se referir ao HIV e AIDS]. Claro que não vou julgar ninguém por isso, afinal esse tipo de comentário é fruto da ignorância e falta de informação.

Justamente para evitar essa falta de informação, vamos listar aqui cinco motivos que demonstram que o status HIV do seu pretendente não importa tanto assim, esse "monstro" que é o HIV não é mais uma hidra que lança fogo pela suas três cabeças. Vale citar que a prevenção é importante e usar camisinha é sempre importante, seja no sexo casual ou dentro de uma relação.

1. O que você faz na cama é problema seu

Até você conhecer o cara, e não me refiro ao trabalho dele, ou que tipo de música ele gosta, você  também precisa demonstrar que é um moço interessante e claro, tem seus truques na hora do sexo. O que vocês vão fazer entre quadro paredes é algo que fica entre vocês, mas quando chega a hora de levar ele as alturas seja penetrando ou sendo penetrado, ou talvez usando a boca, sempre tenha a camisinha como aliada. Se tudo der certo, e a daí surgir uma relação, a sinceridade, a confiança e um bom exame de HIV para os dois pode dizer como as coisas vão seguir dalí pra frente. 

2. Alguém pode usar a PEP (profilaxia pré-exposição)

Primeiro não levem isso como uma possibilidade para sair transando sem camisinha por aí, mas  a PEP (profilaxia pré-exposição) consiste no uso do comprimido truvada que deve ser tomado diariamente durante um determinado tempo (acho que são 4 semanas). Ele é indicado em casos onde houve alguma situação de risco de contaminação e deve ser iniciado até 72 horas após a exposição, mas o quanto antes iniciar, maiores são as chances de sucesso.

Há ainda o PreP que consiste no uso diário do truvada e reduz o risco de infecção pelo HIV. Algumas pesquisas mostram que o PrEP tem uma eficácia que rivaliza com a dos preservativos, o que pode te dar uma paz de espírito caso seus status HIV seja uma incógnita. No Brasil o método ainda está em teste, mas já há um site com informações sobre o projeto e com cadastro para queira participar como voluntário. 



3. Ele é positivo e indetectável

Outro acontecimento importante no último ano tem sido a crescente investigação mostrando que alguém que vive com HIV que mantém uma carga viral indetectável não é capaz de transmitir o vírus para seus parceiros [info em inglês aqui]. Mas é importante lembrar que se trata apenas de estudos  e pesquisas, a Organização Mundial de Saúde ainda não deu parecer final sobre isso, ou seja, mesmo ele tendo o vírus indetectável ele ainda está lá, o paciente continua tomando remédios e claro, o uso da camisinha ainda é necessário [volte para o item 1 só para relembrar].

4. HIV não é o único problema

Tem gente que parece que esquece que nem só de HIV se faz o mundo das DST's, inclusive se comparada com outras doenças sexualmente transmissíveis, o HIV é até difícil de se contrair, afinal é necessário que haja porque requer fluidos sanguíneos (sangue, sêmen ou leite materno de uma mãe) para introduzir a sua corrente sanguínea através de uma ferida aberta ou por meio de membrana mucosa.

Isso não é o caso de infecções mais comuns como gonorreia, clamídia e herpes, que você pode pegar através do sexo oral ou simples contato com a pele. Com o incrivelmente alto índice de doenças sexualmente transmissíveis entre os homossexuais nos dias de hoje, não superestime o risco de HIV e  nem subestime os outros.

5. Quando é que o status de HIV importa? 

Quando você pergunta para o cara e ele responde que o último teste de HIV que ele fez foi durante a última temporada de LOST, aí temos um grande problema. O mesmo vale para um positivo que não se cuida por achar que os remédios não vão fazer diferença. Somos gays e exames de HIV precisam ser feitos a cada seis meses, nossa saúde depende disso. Hoje a medicina já dispõe se uma série de tratamento e remédios, ignorar isso e a importância desse tratamento é o mesmo que escolher morrer. 

Esse post não tenta desmerecer o risco e a importância do cuidado para um sexo seguro, mas apenas mostrar que o HIV não é o monstro que todos imaginam. Sendo esse fator uma forma de segregação dentro da comunidade gay é importante disseminar essas informações e assim tentar promover a igualdade mostrando que o HIV existe mas que não é um por causa dele que devemos julgar ninguém. Sinceridade e precaução consigo e com o seus parceiros são coisas que precisam estar sempre na mala. 
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.