Entre o Orgulho e o Preconceito



sábado qualquer decidimos ir a uma boate aqui de Fortaleza, eu, um amigo de faculdade e um colega do Maranhão que estava na cidade. Era hora de dançar, beber e se divertir naquela que "dizem ser a boate mais bem frequentada da cidade". O que para mim é algo irrelevante.

Sobre os frequentadores da tal boate, um esteriótipo massivo, brancos, de classe média ou acima disso, roupas de grife, perfumes fortes e biotipo de corpos "perfeitos", moldados na academia, olhares blasé e uma "masculinidade" na maioria das vezes forçada. Foi quando olhei ao redor e pensei: para que isso?

É válido acreditar que as pessoas são diferentes, essa diversidade é mágica e encantadora, mas forçar um comportamento que não é o seu é doloroso, e nesse caso eu sentia pena, isso mesmo, pena de cada um deles. Foi quando meu amigo me contou que se sentiu intimidado quando resolveu finalmente extravasar na pista e dançar como se não houvesse amanhã: "Amigo, me senti péssimo agora. Quando eu estava dançando reparei que a maioria das pessoas me olhavam estranho. Será que fiz alguma coisa errada?".

Não, ele não tinha feito nada errado, apenas foi "gay" dentro de uma boate "gay", mas que claro, a maioria dos "gays" alí presentes fazem questão de esconder isso, e o pior, reprovam que não adere a mesma ideologia de vida heteronormatizada e se consideram superior a quem não segue essa "linha comportamental". Mais uma vez o sentimento de pena foi o que senti, pena de cada um deles.

Nada contra "barbies" de classe nobre [sim, estou me dando ao direito de estereotipar], mas se hoje elas podem se reunir em um local fechado, ouvir boa música e vomitar seus comportamentos no mínimo controversos, acredito que deve ser porque algum outro gay lutou por isso, e acredite, não foi uma barbie. Talvez tenha sido um gay de verdade, daqueles que não esconde a sexualidade de ninguém, que não tem medo de mostrar o que sente, de dar pinta, de se jogar na pista e dançar, e claro, de lutar pela igualdade. Enfim, gays tolerantes e que não cospem pré-conceitos entre sua própria classe. 
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.