Era uma vez uma criança gay


Dia das crianças passou e junto com ele aquele saudosismo filho.duma.puta que te faz lembrar o quanto era bom ser criança, e como faz falta toda aquela insanidade infantil e a falsa liberdade de ser, ou fingir ser, o que você quisesse. 

Das coisas boas da minha infância lembro que sempre fui gay, por mais que meio mundo negue isso no fundo só a gente sabe o quanto eramos gays quando crianças, e é sobre isso que vamos conversar.
Existe criança gay? Talvez! Eu não posso falar com propriedade da infância alheia, mas sobre a minha sim, essa eu falo e ainda bato no peito.

Lembrar que assistir Cavaleiros dos Zodíaco era meu programa favorito é algo revelador, digo isso porque não eram as lutas e poderes que me encantavam, mas sim a doçura de Saori, seu cabelo lindo sempre em movimento graças ao vento, e esse mesmo motivo me fez escolher Shiryu de Dragão como meu cavaleiro favorito ~ me julguem mas eu adorava o cabelo dele, e aquela tatuagem enorme nas costas, o que talvez explique minha tara por homens tatuados.




Ainda na onda dos desenhos lembro com carinho das Sailor Moon, e como girava no meio da sala toda vez que elas se transformavam sob a luz da lua e como eu queria ter uma saia igual a delas. O mesmo se aplica ao figurino de Sakura Card Captors, onde com toda a  feminilidade possível eu dizia "Volte a forma humilde que merece... Carta Clow" ~ enfim, eu era uma criança, mas já era visivelmente gay. 

Nem me atrevo a comentar os episódios em que pegava as bonecas da minha irmã escondidas para brincar. Sempre que me achavam  era uma surra e uma lição sobre o que eram brinquedos de meninos e de meninas. Minha timidez me fazia ter poucos amigos, mas não era tímido o suficiente para não dar um show nas festas de família ~ entre os gritos de influência da minhas tias, juro que dançava as músicas do "É o Tchan" com uma maestria e um rebolado fora do comum.



Nunca fui dados aos esportes, uma semana no karatê eu já havia desistido, mas com um pouco de papel, cola, giz de cera um tesoura eu poderia criar lindas pulseirinhas. É estranho dizer isso, mas numa conversa franca com meu pai ele chegou a dizer que desde pequenos eu já tinha "tendências homossexuais".

Julgar a sexualidade de uma criança é uma coisa complicada, eu vejo isso como um crime, tanto que quando me deparo com algum sobrinho ou filho de amigos agindo como eu agia na idade deles, a única coisa que penso é: "que eles não sofram tudo o que sofri". Mas calma, eu também jogava futebol, tive namoradinhas na escola, e nada disso me fez mais hétero e nem menos gay.
Enfim, era uma vez uma criança gay, que cresceu e continua gay, e feliz, não por ser gay, mas por ter crescido, em todos os sentidos.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.