O que não fazer se você é um soropositivo em busca de um namorado



Texto copiado do site LADO BI e traduzido do post de Tyler Curry para o Huffington Post

Ah, como o mundo seria diferente se nós todos soubéssemos como navegar o campo de batalha traiçoeiro e trapaceiro que são os relacionamentos gays. Nós temos não apenas que encarar os mesmos dissabores e perigos que os soldados solteiros heterossexuais, mas nós também temos que enfrentar a fria realidade de uma população em que o número de pretendentes em potencial é bem mais reduzido, em que ex-namorados que acabam namorando outros ex-namorados e que tem uma expectativa irreal de como você deve ser sem camisa. Nós tentamos nos armar o melhor possível, porque não importa quantos corações partidos a gente já tenha enterrado, a batalha do amor deve prosseguir. Há no entanto uma maneira infalível de transformar toda e qualquer pretensão de romance futuro num banho de sangue, não importa quão forte a conexão entre vocês dois pareça, e ela é ser soropositivo e estar desesperado para namorar.

Uma coisa é admitir que você está aberto para encontrar o amor. Outra bem diferente é ficar se perguntando o tempo todo por que é que você está sem namorado. Antes de encontrar o homem certo com quem preparar uma comidinha e assistir junto comédias românticas num domingo de chuva, você precisa primeiro perceber que você está melhor sozinho do que aprisionado com o Príncipe Equivocado… Ou o Príncipe É O que Tem.

Claro, gays muito carentes de amor podem vir com qualquer status sorológico, mas um homem soropositivo é um tipo especial de desesperado. Esses caras muitas vezes chegam num primeiro encontro carregando a esperança de que esse parceiro em potencial será capaz de ignorar seu status positivo e dar-lhes uma oportunidade. Quando isso acontece, é como se o pretendente tivesse feito um favor para eles e instantaneamente eles sobem um ou dois estágios na escala Juju Carente. De repente surge toda uma pressão para que esse ficante se torne um namorado, sem considerar-se os interesses pessoais ou a compatibilidade.



É assim que um homem soropositivo desesperado fala:

“Por que é que eu não consigo arranjar um namorado? Todos os caras com quem eu começo a conversar no Grindr param de falar comigo quando eu revelo meu status sorológico.”

“Eu não sei o que aconteceu. Quando eu contei para ele que era soropositivo, ele parecia ok, mas depois ele nunca mais ligou.”

E até mesmo…

“Eu não gosto de revelar meu status até o terceiro ou quarto encontro. Eu quero ele consiga me conhecer antes de eu contar que eu sou positivo.”

Se o boy com quem você vai sair estivesse à busca de amor incondicional e inquestionável, ele adotaria um cachorrinho. E se você pretende armar uma arapuca para que ele nem perceba que você tem o vírus usando seu super senso de humor ou os interesses por arte contemporânea dos dois, você está apenas preparando o terreno para mais um porre de vodca com valium e sorvete. Seu status não é algo indiferente para quem se envolve com você, por mais que você deseje isso. Tratá-lo como tal demonstra insegurança, e não é nada atraente, não importa a opinião da pessoa sobre seu status.

Confronte o seu estigma interno a respeito do HIV antes do seu próximo encontro, porque o cara fodão que existe aí dentro merece mais que as desculpas do seu covarde exterior a respeito de algo que você não tem como mudar. HIV não é uma falha de caráter, é uma realidade que alguém compreende ou não. Torcer e rezar para que alguém deixe essa realidade passar batido é uma manobra desesperada, especialmente quando você sequer sabe o status do parceiro.

A verdade é que nós todos temos questões com que o nosso futuro amor vai ter que lidar quando um relacionamento em potencial começa a tomar forma. Você precisa lidar bem com as suas próprias questões antes de tentar conhecer e lidar com as alheias. Isso é universal para todos os homens gays, mas um soropositivo deveria ter como princípio que ele tem que ser visto em pé de igualdade com o outro, e não um abençoado por encontrar alguém que o aceita apesar de sua sorologia.



Não importa o quão maravilhoso o encontro desse sábado promete ser, você deveria sair já com a premissa de que se ele não acha que você é tudo, então não há porque você dar a ele seu coração, ou sequer sua bunda – muito menos levá-lo para conhecer sua mãe. O que você resolver fazer por essa noite não é da conta de mais ninguém, só sua; apenas não se preocupe se ele vai ligar ou não depois. São só mais sete dias até o próximo final de semana.

Ser soropositivo não é mais algo tão digno de nota na comunidade gay. Substitua sua sorologia por qualquer outra característica ou peculiaridade que desperte insegurança numa pessoa, e o terreno fica igual para todos. Se você leva a sério sua busca do seu “mais um” permanente, abandone o desespero e cultive sua confiança. Pode parecer que isso é algo mais fácil de se dizer que de se fazer, mas é tudo uma questão de se lembrar que sua mercadoria vale cada centavo do preço da etiqueta, e você não tem que dar descontos para ninguém.

Nota do tradutor: Nem o autor nem nós achamos que você tem que revelar seu status para qualquer ficante/trepada/grupo com que você se envolver. Praticando sexo seguro, você pode compartilhar essa informação quando sentir a necessidade. A intenção do texto é apontar que não há como tentar construir um relacionamento sério sem tratar dessa questão cedo. Por questões culturais, os gringos tendem a fazer uma distinção muito maior entre encontros com “pretensão de futuro” (dates) e encontros de putaria/ficadas (hook ups), algo que não existe tão rigidamente na cultura brasileira. O texto original é todo sobre “dates”.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.