Vítimas da futilidade e vaidade de um falso arco-íris


No começo desse mês recebi a informação através de um colega sobre uma morte em São Paulo que me pegou de surpresa, não porque fossem de pessoas próximas [até porque não eram] mas a forma como tudo aconteceu e o contexto da coisa, são quase um convite a uma reflexão sobre certos aspectos da "vida gay".

Dois corpos mortos num quarto de motel, vestígios do uso de drogas e sim, eram gays, um casal de namorados. Um deles matou o companheiro e em seguida cometeu suicídio. Pelo que soube eram jovens e seguiam um perfil conhecido na cena gay: casal aberto, orgias, festas, drogas, corpos perfeitos, moldados em academia, roupas de grife e perfumes caros. Nada incomum num mundo onde a futilidade é presente, o culto ao corpo é inevitável, e na maioria das vezes você vale mais pelo que tem [ou aparenta ter] do que pelo que realmente é.

A pedido não vou revelar nomes e nem me estender muito nos comentários, mas o fato é que poderia ser eu, você, ou qualquer conhecido. Dividas, um "amor" desregrado e essa necessidade de se sobrepor sobre o outros. Até quando? O problema não são as relações abertas, as drogas, as orgias ou a futilidade, mas sim a intensidade e a profundidade de tudo isso.

Precisamos ter cuidado não só com o que temos, mas com quem andamos e o que fazemos. Minha intenção aqui não é julgar a relação aberta de ninguém, ou orgias ou essa mania de comprar roupas caras como uma forma de chamar a atenção, ser aceito ou desejado ~ tudo futilidade, e que sabemos não leva a lugar algum.
A falta de regras, de respeito, seja com você ou com quem está ao seu lado, esse e o problema.
Ser gay não é ser fútil, muito menos afundar sua vida tentando ser algo que não é, ou pulando de balada em balada, entre bebidas e drogas, tentando saciar uma necessidade que não se preenche nesse tipo de local ~ isso é burrice.

Enfim, que historias tristes como essas não se repitam, que a nova geração de gays seja mais aberta a pluralidade de formas, de raças, de corpos, de amores e de pessoas. Que a futilidade e vaidade, intensas e extensas do mundo em geral [seja ele gay ou não] não derrube outras vítimas.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.