E quando você precisa de um emprego, mas ser gay é um problema?!


Nos últimos dias estive meio ausente do blog, e um dos motivos foram as entrevistas de emprego que andei participando [sim travequinhas, eu preciso de um emprego]. Mas uma coisa em especial me chamou a atenção, os valores e a religião que eram marcas fortes em algumas dessas organizações.

Todos sabem que religião e sexualidade não podem ser requisitos eliminatórios nesse tipo de processo, e caso isso aconteça podemos entrar com uma ação alegando preconceito, mas o fato é; como comprovar isso? Em uma das entrevistas que participei a responsável pelo RH disse em claro e bom som: “Nosso diretor é muito católico, a empresa tem essa coisa de ser muito religiosa, e é claro que preferimos ao nosso lado alguém assim”, se dando conta da merda que tinha dito, ele tentou consertar a merda que fez: “Mas claro, que isso não é um requisito para a vaga” [eu por dentro apenas chorei].

Ficou claro que uma empresa extremamente católica não iria admitir um gay em sua grade funcional, ou quem sabe um umbandista. Esse é o tipo de coisa que fica nas entrelinhas, mas é o suficiente para bom entendedor. 

Já a segunda empresa [uma escola infantil] foi um pouco além. Durante a entrevista com a diretora da instituição ela olhou pra mim e disse o seguinte: “Somos muitos religiosos aqui. Qual a sua religião? Nós prezamos muito pelos valores da família tradicional”, e na mesma hora fiquei assim, de cara no chão; já que uma escola deveria no mínimo trabalhar nos alunos e conceito e o respeito à diversidade [algo que lá não deve ter].

Essas duas experiências me levam a pensar como o mercado de trabalho se comporta com relação aos gays. Claro, há casos e casos, empresas e empresas e obviamente culturas e pensamentos diferentes. Mas será que realmente vale a pena durante uma entrevista de emprego você revelar sua sexualidade? Em um dos casos uma das psicólogas ainda me perguntou se eu estava casado, solteiro e namorando. Respondi “namorando”, de imediato ela questionou: Qual a profissão da sua namoradA?”.

Devemos levar em consideração que sexualidade não define caráter e nem profissionalismo de ninguém, partindo de um princípio de igualdade, ninguém chega numa seleção de emprego dizendo “oi eu sou hetero!” então não tenho motivos para gritar que sou gay.

Infelizmente há profissionais que precisam sufocar sua sexualidade devido o cargo que possuem, ou pela cultura tradicional e homofóbica de certas empresas. Mas o grande questionamento é: o mercado de trabalho é homofóbico? No caso de vocês, o que vocês fariam? Iriam omitir a sexualidade [caso questionada] para não perder a vaga, ou fariam o contrário mesmo correndo o risco de serem eliminados?

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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.