O Gigante acordou, mas ainda está cinza


É impossível ignorar os manifestos que estão ocorrendo em todo o Brasil. Para onde quer que você olhe o país respira isso, e claro, nós, eu e você, sendo gays, héteros ou seres humanos, temos algo a ver com isso.

Ao contrário do que se pensa, não estamos lutando apenas por 20 centavos de aumento na passagem, o que motiva toda essa luta é uma coisa chamada direitos. O direito de viver com dignidade, de ter uma casa, comida, edução de qualidade e segurança. 
Nossa geração está fazendo um levante assustador, o planalto em Brasília foi tomado, São Paulo, Rio de Janeiro e as principais capitais do país estão de joelhos diante do grito dos jovens e manifestantes.

Se há vandalismo, vidros quebrados ou carros incendiados, há acima de tudo direitos negados e subtraídos. Isso é o que importa. Não é uma única luta, na verdade um país inteiro está saindo e gritando as dores das mais diversas feridas que por séculos machucaram e incomodaram.

Não há momento melhor para isso do que hoje, o agora, quando o mundo inteiro está com os olhos voltados para o nosso país. O meu muito obrigado a FIFA por isso, mas aviso que não deixaremos ser sugados por eles.

E o que os gays tem em relação com isso?  Talvez o fato de levar a voz as ruas deveria estar ligado a um movimento que já virou marca no calendário do país, a "Parada da Diversidade LGBT", mas que infelizmente se perdeu com o tempo. Vale lembrar que a pouco meses atrás um pessoal colorido, estranho e extravagante saiu nas ruas, gritando #FORAFELICIANO, pedindo igualdade e amor.

O Feliciano continua onde estava, mas parece que serviu de combustível para algo maior, por interesses maiores, por ideias mais abrangente e igualitárias.

Ouvi dizer que a parada gay era um movimento de luta pela igualdade de direitos entre os homos e héteros, mas isso já se foi, o vento levou pra longe o espírito de luta que algum dia sustentou esse manifesto colorido. Hoje é tudo festa, oba-oba, gente com pouca roupa e muito afronte.



Se o gigante do povo brasileiro finalmente acordou, eu torço para que ele sopre no ouvido no pequeno garoto leva uma bandeira cheia de cores e ideais, mas que pelo visto se perdeu nas festas e orgias do mundo, e de lá não quer mais sair, deixando de lado o seu papel de luta e reivindicação.

Não é de se admirar que boa parte dos manifestantes que estão agora lutando por um Brasil sejam tão gays quanto eu e você, e que boa parte deles nunca tenham levando voz as respectivas "Paradas Gay" de suas cidades. Está na hora de mudar esse conceito de manifestação LGBT, de fazer surgir um novo gigante no Brasil, mas dessa vez colorido.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.