"Pé na Cova" traz morte, casal de lésbicas, bizarrice e gargalhada


Para quem espera discussões filosóficas ou cenas mais tórridas, o criador Miguel Falabella já avisa que “Pé na cova” não está aí para tanto. O seriado que estreia no dia 24, na Globo, trará questões polêmicas, mas de tudo que será dito, pouco se salva. Sim, o texto beira o non sense, assim como as personagens em cena. A família Pereira, que encabeça a trama, é assumidamente disfuncional. E é da forma como todos lidam com morte, política, subemprego ou homossexualidade que vem a graça.

Luma Costa e Mart’nália, que vivem o casal gay Odete Roitman e Tamanco, adiantam o tom do casal em cena:

— Beijo? Nada! Ela leva umas boas encoxadas, isso sim — Luma gargalha, mas garante que a pegada é leve: — As pessoas polemizam com o que não deveriam. A gente tira sarro, todo o seriado é uma grande piada, estamos ali para fazer rir.

Mas a risada tem de ter mão dupla, completa Mart’nália, que faz sua estreia na televisão:

— Eu entrei nessa para dar gargalhada. Não sou atriz, sou quase eu mesma em cena — brinca a cantora.

Luma é Odete Roitman, uma moça nada decente que ganha o pão de todos como stripper virtual. Mart’nália é Tamanco, a borracheira dona da oficina do bairro, onde também vivem seu sogro, a mulher do sogro, a atual mulher do sogro, os agregados em volta do sogro. Esclarecendo, no rol de personagens estão o dono de funerária Ruço (Miguel Falabella), a maquiadora de defuntos Darlene (Marília Pêra), a jovem Abigail (Lorena Comparato), o candidato a vereador Alessanderson (Daniel Torres), e mais uma vizinhança de profissões e comportamentos igualmente bizarros.

Se existe gente assim? Miguel diz não ter dúvidas. Mas é da exceção que ele constrói personagens, define elencos e tece os enredos. Com o pé no riso, de preferência:

— O Brasil está cheio dessas pessoas, essa família poderia pertencer a qualquer classe. Eles não sabem nada. Há diálogos inteiros em que não conseguem articular uma frase, mas grande parte dos seres humanos é assim. “Pé na cova” é um programa reflexivo e não só na relação com a morte, mas é muito light — define Falabella.

Os desarranjos da família que vive da morte, ou melhor, da F.U.I (Funerária Unidos do Irajá) mantida por Ruço, têm direção geral de Cininha de Paula e direção de Cris D’Amato. 

Fonte: Extra
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.