Uma gafe e um grito

Não adianta tentar esconder, quando o universo resolve conspirar contra você e gritar a sua homossexualidade para todos que estão ao seu redor; ele o fará.

Estávamos eu e um colega na biblioteca da faculdade, claro, sempre com nossos respectivos gaydares ligados, afinal, gays se reconhecem pelo cheiro, mas nesse caso, o personagem dessa historia conseguiu passar por nossa análise empírica sem demonstrar nenhum sinal.
Calça jeans, camisa pólo, tênis, óculos de grau, barba por fazer e uma postura naturalmente máscula , ou seja, indefectível e acima de qualquer suspeita.

O mundo continuava seu curso, a terra girando em torno do seu próprio eixo, e a moça da biblioteca finalizando a reserva do meu livro, e tudo em seu devido lugar, até que toda essa harmonia natural das coisas, foi quebrada por um som, aliás, som é um porra.
No meio da biblioteca começa a ecoar pelo ar os seguintes versos “I love you like a love song baby, I love like a love song baby...” ou seja, Selena Gomes embalava a trilha sonora, e só poderia ser o celular de alguém tocando, mas eis a questão: quem iria ter aquela música como toque?

Naquele momento girei minha cabeça em cerca de 90° graus, procurando saber a todo custo de onde vinha aquela música tão “peculiar” e para minha surpresa o tal cara, acima de qualquer suspeita e de postura máscula, tira o telefone do bolso, e com um rosto demonstrando puro constrangimento, deixa o recinto em passos rápidos, onde só pudi ouvir um mísero e rouco “alô”, antes dele fechar a porta.

Confesso que uma força superior tomou conta de mim, e numa coreografia quase perfeita eu e meu amigos olhamos um nos olhos do outro e em uníssono soltamos a seguinte frase: É PASSIVA!

E mais uma vez repito: “Não adianta tentar esconder, quando o universo resolve conspirar contra você e gritar a sua homossexualidade para todos que estão ao seu redor; ele o fará”.

*gaydar: nome dado a sensibilidade que os gays possuem de identificar outros gays através apenas de uma observação empírica.
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Editor Blog Para Mocinhos

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.