Já pode comprar: Lançamento do Livro "Mentiras Sobre O Travesseiro"

Olá moços lindos, ricos e provavelmente alfabetizados.

Acredito que devem lembrar de toda a saga de post's que fizemos aqui no blog anunciando e comentando sobre o livro "Mentiras Sobre o Travesseiro" que inclusive sorteamos um exemplar entre os nosso seguidores do Twitter, quem não lembra pode correr nesse post e conferir tudo. 
Pois bem, finalmente o livro vai chegar as lojas, e já tem lançamento marcado para São Paulo e Rio de Janeiro.
Oi? Na área de risco onde você mora não tem o livro? Não seja por isso bilú, pode correr e comprar pela web. No site do livro, e na página dessas duas livrarias aqui e aqui já dá para comprar seu exemplar e receber pelos correios.





Mas olha, tem mais ...

Amanha dia 05/09 rola o lançamento da publicação na capital Paulista (aqui a página do evento do Facebook) e dia 15/09 é a vez do RJ (e a página do lançamento no Rio, aqui) . Então moços paulistamos e cariocas já podem se preparar para ler esse livro delícia, que eu já estou devorando e super apaixonado.


Claro que eu não iria indicar algo sem antes conhecer, certo?! E baseado  no que já lí do livro e em tudo que senti saboreando cada página e me agarrando (intelectualmente falando) com cada personagem, bolei essa entrevista com o autor Raphael Mello, que além de lindo e fofo é muito inteligente. Quem quiser conhecer mais da atmosfera do "MSOT" pode e deve conferir. A entrevista está depois do pulo.





1.      O que podemos saber sobre o escritor de “Mentiras Sobre O Travesseiro”?

Sou um cara reservado, prático e observador. Desde pequeno sempre fui criativo. Me envolvia nas atividades de adulto e quando menos esperava estava com responsabilidades aquém do que eu poderia lidar. Participei do jornal da escola, fui presidente de grêmio estudantil, participei de fas clubes, ajudava numa rádio comunitária, tendo um programa num horário em que quase ninguém ouvia. Comecei a trabalhar cedo. Sempre me destacava pela minha forma nada tradicional de pensar. Para mim as coisas tinham que fazer sentido sempre. Às vezes isso era aceito bem, às vezes incomodava.  Ao mesmo tempo que eu gostava de rotina detestava fazer a mesma coisa sempre. Um total paradoxo na minha infância. 

2.      De onde surgiu a idéia de escrever o livro?

Comecei a escrever este livro em meados de junho de 2009. No fundo, tudo começou com um texto de e-mail, que tinha escrito, após um "quase" acidente que vivi chegando ao trabalho. Me recordo, que quando me sentei no local que ocupava para desenvolver minhas atividades, ainda estava apático. A única coisa que fiz, foi escrever para desabafar e contar a alguém o que me tinha acontecido. Mas as demandas do dia me tomaram, e o e-mail, não chegou a ser enviado para ninguém. Meses depois, visitando a pasta rascunho do meu outlook achei o texto. Na hora chovia, típica chuva de inverno. No trabalho eu me sentava próximo a uma grande janela - janela que me inspirou a construir o cenário do apartamento em que o personagem Pedro se muda no capítulo final. Sentado ali, eu via a água escorrer pelo vidro da janela e cada gota me inspirava. Posso dizer que tudo começou ali... Abri o e-mail, e quando li senti um arrepio, aquele texto havia mexido comigo. Ao ler vivenciei tudo novamente, cada segundo passou novamente pela minha cabeça. Acredito, que algo me dizia que não era um simples descuido atravessar a rua distraído. Naquele momento, eu percebi que faltava descrever mais coisas para fazerem algum sentido. E comecei a melhorar o primário texto. Mas o tema principal – a mentira, só veio ao longo do trabalho. Quis trabalhar muito a consciência dos personagens durante suas fases de vida. E com isso veio a ideia do travesseiro, local onde colocamos nossa cabeça e nos entregamos ao profundo sono, ou não.

3.      Muitos livros de temática gay costumam abordar o assunto numa fase de descoberta, conflitos adolescentes e familiares, já em MSOT a temática aborda a construção de um relacionamento serio e maduro entre dois homens. Por que essa escolha?

Não sou um cara que leu muitos livros temáticos gays, acho que nunca li um para ser sincero. Assisti a alguns filmes, peças de teatro, mas nada ligado a algum livro. Meu intuito nunca foi intitular o que eu escrevia como gay. Na verdade acho que não há necessidade disto. Se eu fizesse, talvez estaria reforçando algum estereótipo. A idéia de MSOT, é trazer o ponto - relacionamento. E através dele a discussão da verdade, tão fora de moda nos tempos atuais. No momento em que vivemos, as relações, em sua grande maioria são superficiais, duram o mesmo tempo em que fechamos o xis de uma janela do msn. E para mim o tema gay, não deva ser tratado como diferente.

4.      É impossível não se identificar com algumas características dos personagens principais (Pedro e Marcos). Como se deu a construção dos mesmos? Houve alguma pesquisa, inspiração?

Abordar personagens complexos como Pedro, Marcos, Caio, Ricardo, Leonardo... não foi um trabalho fácil. Eu sempre soube muito bem quem eram os dois personagens principais e para onde a história caminharia com eles – já tenho isto escrito até o terceiro livro. Mas a dúvida era: Como transformar isso em algo rico de detalhes sem parecer que eu estivesse tomando partido para algum deles. Eu passei muito tempo observando as pessoas em boates, em festas, em conversas na internet, até em ponto de ônibus. Para mim, extrair cada detalhe do papo ou do gesticular era o principal, não queria a histórias delas, não sei copiar dramas alheios.  Marcos foi o personagem mais complexo, porque não o considero o vilão da história e nunca quis isso. Para construir sua inocência disfarçada de imaturidade, eu tive que buscar em conhecidos essas características. E achei muitas pessoas para me ajudar. Confesso que Marcos foi concebido com um mix de características comportamentais de uns sete conhecidos. Já Pedro, de duas pessoas que passaram pela minha vida. Caio, acho que dei para ele muito do que respeito em amigos – ser solidário e fiel.

5.      O livro retrata diversos tipos de relações amorosas, desde as mais convencionais, até as mais abertas, e ainda exemplifica e as entrelaça com a historia dos personagens. Como você vê esses tipos de relações?

Se fosse há uns 7 anos atrás, talvez minha resposta fosse mais conservadora e menos tolerante, mas aos 31 anos, eu vejo isso um pouco diferente. Tenho meu jeito de ser, de me relacionar e acredito no que vivo. Contudo, acho que cada um deve buscar a felicidade da forma que lhe satisfaz. Se você combina a regra do jogo com seu parceiro e ele aceita. Não sou eu que vou te julgar. O problema é quando isso não é claro e transparente. Dai vem as mentiras do cotidiano disfarçadas de normalidade.

6.      Mentiras, traições e futilidades e o culto ao corpo perfeito. Tudo isso é levantado no decorrer da publicação. Em sua opinião o “mundo gay” tende a ter essas características?

Acredito que estamos vivendo uma grande mudança nos tempos. Nunca se falou tanto em gay como hoje. Com esta descoberta existe um “boom”, e é natural tudo ficar um pouco fora da orbita. Acredito que com o tempo, as coisas se ajustem e se tenha uma nova identidade.
Admiro muito os casais que conseguem se manter fiéis durante tanto tempo, mas sei que traição é tão antigo quanto a nossa sociedade atual.  Eu ouvi diversas pessoas que falavam que saiam com caras casados. Quando eu os questionava se tinham algum peso na coinsciência, me respondiam que quem deveria se preocupar com isto era o namorado do cara com quem estavam saindo. Eu mesmo assim retrucava-os, perguntando: “ E se algum dia, você for este namorado – o traído?”, a resposta foi unanime. “Não, claro que não quero isto”. Então porque se permitem se envolver com alguém comprometido? “Porque todo mundo faz”, foi a resposta mais rápida que ouvi. Então se todo mundo faz, por que não começar com você, não fazendo. Mas não sou especialista no caso e nem tenho este papel, escrevi um livro apenas. 

7.       “MSOT” tem a capacidade de levantar temas de profunda reflexão, de fazer sorrir, chorar e torcer pelo amor dos protagonistas. Essa sempre foi a sua intenção, levantar questionamentos entre os leitores?

Não tinha uma fórmula, a coisa saiu assim. Foram dois anos escrevendo, lendo, relendo, rabiscando, reemendando. Queria trazer através da minha imparcialidade o leitor para junto de mim, quis deixá-lo como se estivesse ouvindo uma história de um amigo. Hoje, quando ouço o efeito que isto causa nas pessoas, eu fico com os olhos cheios de água, porque eu consegui mexer com elas, provocar alguma reação. Quis ainda criar uma ponte do livro com a internet, para que os leitores se aproximassem mais, por isso criei um capítulo chamado Apêndice. Nele, coloquei as musicas que os personagens escutaram em cada momento chave, de onde vieram as idéias das ilustrações... Isso aproximará mais o leitor de MSOT.

8.      Que surpresas o leitores terão ao embarcar nas páginas de “MSOT”?

Deles se reconhecerem em vários personagens e se sentirem como eles. Ainda, que a cada página tudo muda, tudo acontece muito rápido. O primeiro volume narra praticamente seis anos de história. Pedro começa de um jeito e termina de outro, Marcos se transforma totalmente de um menino doce em uma pessoa perdida, amigos vão e vem. Quando você acha que tudo está bem, aquilo muda e vira de pernas pro ar. Ironia ou não, assim como a vida.

9.      Que surpresas podemos ter ao ler “MSOT”?
Não posso revelar... risos

10.  Um mensagem final para os leitores do Para Mocinhos. Rola?

Seria piegas se eu usar o slogam do livro? “Você consegue colocar a sua cabeça sobre o travesseiro e dormir sabendo de tudo o que fez?” – Brincadeira. Quero registrar para os leitores do blog, que quando lerem este trabalho, reflitam para onde estamos indo em nossas vidas. O tema principal do livro é a mentira que contamos para nós mesmos. Aquela mentira que faz com que não sejamos as pessoas que somos, que mentimos para sermos aceitos em algum grupo. Se inspirem em Pedro, que teve milhões de opções de desistir, mas persistiu e Marcos, que fascinado por escolhas, aprendeu a escolher certo com dignidade. Como o exemplo de amizade de Caio.
Seja você mesmo, e se questione sempre para onde sua vida está te levando. Os amigos verdadeiros, podem não estar próximo de você ou podem não gostar das mesmas coisas. Mas eles estarão lá para quando você precisar.
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Editor Miguel Arantes

Thiago Silva - Estudante de jornalismo, 20 e poucos anos, curioso e extremamente gay além de editor e criador do Blog Para Mocinhos. Nos ouvidos um bom eletro pop e um pouco de indie rock, nos olhos um filme qualquer e uma boa companhia, e no coração alguma coisa que nem eu sei o que é ainda.